Pensamento Submisso

Junho 7, 2009

O Delírio de Galeno por Isaias Pessotti

Arquivado em: Psicanálise — rose @ 10:19 pm

Isaias Pessotti é escritor e ex-professor titular de psicologia da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto. É autor de “Os nomes da Loucura” e “O século dos Manicômios”.

 

No século II, o médico grego Galeno definiu alucinação e ilusão ao distinguir os delírios da razão e dos sentidos

Sintomas clássicos de algum distúrbio mental são as alucinações, tais como ver pessoas ou objetos inexistentes, ou “ouvir vozes” sem que ninguém emita som algum. Diversamente, quando a percepção absurda ou distorcida refere-se a objetos reais e presentes não há alucinação; há o que em psicologia se chama “ilusão”. Mas em psicopatologia só interessam certas ilusões. As ilusões de óptica, ou as provocadas por um mago, por exemplo, são percepções normais.

Enquanto eventuais sintomas de algum distúrbio mental, alucinação e ilusão não se equivalem. Esquirol, em 1838, as distinguiu de forma lapidar: “Um homem que tem a convicção íntima de uma sensação realmente percebida, quando nenhum objeto exterior capaz de excitar aquela sensação está ao alcance do sentido, está em estado de alucinação: é um visionário… a ilusão ao contrário é um erro dos sentidos, que não põe em questão a presença real do suporte da percepção. Há sempre impressão real dos objetos exteriores. Impressão dos sentidos”.

Como se vê, o critério discriminante de Esquirol é presença ou ausência de um objeto real. Trata-se, em ambos os casos, de erros de percepção.

Galeno (131-200), como outros grandes médicos antigos, já se ocupara com a distinção entre alucinação e ilusão. Mas com um critério diverso, que ele ilustra ao relatar um episódio pessoal de delírio: “Alguns também deliram por causa do desarranjo de sua faculdade de pensar, mas conservaram por um curto momento sua faculdade crítica e a recuperaram o bastante para… resistir e compreender o que lhes ocorria… eu acreditava ver esvoaçando sobre meu leito fiapos escuros… eu executava movimentos para pegá-los… Ouço dois meus amigos presentes dizerem entre eles \\’olha ele já está tentando pegá-los\\’. Eu compreendi perfeitamente o que me estava acontecendo, o que eles diziam, e como sentia em mim que minha inteligência não sofria perturbação eu disse: Vocês têm razão, venham ajudar-me para que a loucura (phrenitis) não me domine”.

É um caso de delírio dos sentidos, mas não de delírio da razão, segundo Galeno. Pelo critério de Esquirol, seria um episódio de alucinação, pois os fiapos não existem, e há a convicção de uma sensação realmente percebida. Mas aqui existe a consciência de que essa percepção é enganosa. O critério discriminante, entre os dois tipos de delírio, para Galeno, é a consciência da falsidade da percepção alucinatória, no delírio dos sentidos, e a ausência dela no delírio da razão. Sem prejuízo de haver a “convicção íntima de uma sensação realmente percebida”. A diferença de critérios se explica: como bom discípulo de Pinel, Esquirol enxerga alucinação e ilusão como erros, incoerências entre a experiência sensorial e a realidade objetiva. Galeno, como bom seguidor de Platão, procurou apontar o papel da razão, da “faculdade crítica”, ou seja, da consciência da percepção, em cada um deles.

O que Esquirol chamaria de alucinação seria para Galeno um delírio da razão. Há alucinação quando se perde a “faculdade crítica”; mesmo quando a percepção errada se refere a um objeto real e presente. Mesmo nos casos que Esquirol consideraria ilusões.

Maio 24, 2009

O que é um psicopata? por Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz

Arquivado em: BDSM, Psicanálise — rose @ 7:09 pm

Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz são professores de psicologia; o primeiro, da Universidade Emory, e o segundo, da Universidade do Arizona. – Tradução de Julio Oliveira

 

O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática.

Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.

No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.

Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos indicam que cerca de 25% dos prisioneiros americanos se enquadram nos critérios diagnósticos para psicopatia. No entanto, as pesquisas sugerem também que uma quantidade considerável dessas pessoas está livre. Alguns pesquisadores acreditam que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na política, nos negócios ou nas artes.

Especialistas garantem que a maioria dos psicopatas é homem, mas os motivos para esta desproporção entre os sexos são desconhecidos. A freqüência na população é aparentemente a mesma no Ocidente e no Oriente, inclusive em culturas menos expostas às mídias modernas. Em um estudo de 1976 a antropóloga americana Jane M. Murphy, na época na Universidade Harvard, analisou um grupo indígena, conhecido como inuíte, que vive no norte do Canadá, próximo ao estreito de Bering. Falantes do yupik, eles usam o termo kunlangeta para descrever “um homem que mente de forma contumaz, trapaceia e rouba coisas e (…) se aproveita sexualmente de muitas mulheres; alguém que não se presta a reprimendas e é sempre trazido aos anciãos para ser punido”. Quando Murphy perguntou a um inuit o que o grupo normalmente faria com um kunlangeta, ele respondeu: “Alguém o empurraria para a morte quando ninguém estivesse olhando”.

O instrumento mais usado entre os especialistas para diagnosticar a psicopatia é o teste Psychopathy checklist-revised (PCL-R), desenvolvido pelo psicólogo canadense Robert D. Hare, da Universidade da Colúmbia Britânica. O método inclui uma entrevista padronizada com os pacientes e o levantamento do seu histórico pessoal, inclusive dos antecedentes criminais. O PCL-R revela três grandes grupos de características que geralmente aparecem sobrepostas, mas podem ser analisadas separadamente: deficiências de caráter (como sentimento de superioridade e megalomania), ausência de culpa ou empatia e comportamentos impulsivos ou criminosos (incluindo promiscuidade sexual e prática de furtos).

Três mitos

Apesar das pesquisas realizadas nas últimas décadas, três grandes equívocos sobre o conceito de psicopatia persistem entre os leigos. O primeiro é a crença de que todos os psicopatas são violentos.

Estudos coordenados por diversos pesquisadores, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, é comum que essas pessoas recorram à violência física e sexual. Além disso, alguns serial killers já acompanhados manifestavam muitos traços psicopáticos, como a capacidade de encantar o interlocutor desprevenido e a total ausência de culpa e empatia. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta e grande parte das pessoas violentas não é psicopata.

Dias depois do incidente da Universidade Virginia Tech, em 16 de abril de 2007, em que o estudante Seung-Hui Cho cometeu vários assassinatos e depois se suicidou, muitos jornalistas descreveram o assassino como “psicopata”. O rapaz, porém, exibia poucos traços de psicopatia. Quem o conheceu descreveu o jovem como extremamente tímido e retraído.

Infelizmente, a quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR) reforça ainda mais a confusão entre psicopatia e violência. Nele o transtorno de personalidade anti-social (TPAS), caracterizado por longo histórico de comportamento criminoso e muitas vezes agressivo, é considerado sinônimo de psicopatia. Porém, comprovadamente há poucas coincidências entre as duas condições.

O segundo mito diz que todos os psicopatas sofrem de psicose. Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é freqüente a perda de contato com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade, mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora. Além disso, os psicóticos raramente são psicopatas.

O terceiro equívoco em relação ao conceito de psicopatia está na suposição de que é um problema sem tratamento. No seriado Família Soprano, Dra. Melfi, a psiquiatra que acompanha o mafioso Tony Soprano, encerra o tratamento psicoterápico porque um colega a convence de que o paciente era um psicopata clássico e, portanto, intratável. Diversos comportamentos de Tony, entretanto, como a lealdade à família e o apego emocional a um grupo de patos que ocuparam a sua piscina, tornam a decisão da terapeuta injustificável.

Embora os psicopatas raramente se sintam motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.

 

PARA CONHECER MAIS 
Without conscience – The disturbing world of the psychopaths among us. Robert D. Hare. Guilford Press, 1999.Handbook of psychopathy. Christopher J. Patrick (ed.), Guilford Press, 2007.

 

Maio 17, 2009

Potencialidades de Perversão por Paulo Roberto Ceccarelli

Arquivado em: BDSM, Freud, Humilhação, Masoquismo, Psicanálise, Sadomasoquismo — rose @ 9:15 pm

in Boletim de Novidades da Livraria Pulsional, São Paulo, ano XI, 113, 79-82, set. 1998.

e-mail: pr@ceccarelli.psc.br

homepage: www.ceccarelli.psc.br

É comum acontecer que um ato, uma palavra, uma iniciativa, tenha um resultado oposto ao desejado: visava-se um determinado objetivo; entretanto tal objetivo foi subvertido por aqueles a quem a palavra, o ato, a iniciativa foi dirigido. O princípio segundo o qual não se deve mentir pode acarretar um mal maior do que o efeito da mentira.

Daí a questão: deve-se mentir quando dizer a verdade pode levar aqueles, a quem esta verdade é dirigida, a um estado de angústia e desespero capazes de provocar atos perigosos contra si próprio e contra outros?

Mais ainda: a boa intenção e a convicção interior contrabalançam os efeitos perversos não esperados da ação original? Tais perguntas evocam uma antiga questão ética: é-se responsável pelos efeitos secundários que não se desejou?

O trágico da existência nos remete ao sentido primeiro e geral da perversão: desvio, derrapagem, do bem em mal, cujo paradigma é a Criação: o ato criador é bom mas o criado, não sendo Deus, implica a possibilidade do mal.

Perversão da Sexualidade

Perversão, do latim perversio, define a “ação de perverter”, “transformar em mal”, “depravação”, “corrupção”; perversão dos costumes, do gosto artístico… Fala-se de ato perverso, de conselho perverso, máquina perversa, etc.

Psicologicamente, a perversão define um desvio de tendências devido a problemas psíquicos. Na esfera do sexual, o substantivo se aplica para qualificar alguns atos: na medida em que uma finalidade é dada à sexualidade humana, toda pratica sexual que desvia desta finalidade é dita perversa.

Na base deste julgamento encontra-se a noção de uma sexualidade normal, segundo a natureza, cujo desvio, a depravação (pravus) é definido como “contra a natureza”. Um tal discurso se baseia na concepção teológica de uma Natureza (physis), herdeira do pensamento grego, em particular de Aristóteles. Sustenta-se que existem inclinações naturais nas coisas, e que tudo que é natural apraza a Deus, logo é bom. É nesta perspectiva que São Tomas de Aquino qualifica certas práticas sexuais como “contra a natureza” alegando uma natureza comum aos homens e aos animais. Assim, toda vez que a sexualidade desvia da finalidade primeira que a referência animal nos mostra – união de dois órgãos sexuais diferentes para a preservação da espécie – estamos diante de uma perversão: pedofilia, necrofilia, masturbação, heterossexualismo separado da procriação, homossexualismo, sodomia…

Este discurso teológico leva a certas ações jurídicas destinadas a reprimir todo ato perverso. É assim que determinados atos ditos “contra a natureza”, logo violentos pois são considerados um atentado ao pudor ou à opinião pública, acarretam severas sanções.

No século XIX nasce o discurso psiquiátrico que, à sua maneira, retoma a definição de perversão em função de uma finalidade natural e universal, dando uma continuidade às posições teológicas e jurídicas: o que é penal passa a ser da ordem médica. Algumas práticas sexuais são então qualificadas de “patológicas”, o que faz surgir novas formas de perversões onde o outro é usado para obtenção de prazer e, mais uma vez, a finalidade natural é subvertida. Voyerismo, exibicionismo, sadismo, masoquismo, vêm juntar-se à infindável nosografia psiquiátrica da época.

A ruptura psicanalítica

É no ambiente moralista da Viena do principio do século que Sigmund Freud lança, em 1905, um ensaio de 40 páginas que constitui, na época, apenas mais uma publicação dentre muitas outras. Os Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, fez de Freud uma figura extremamente impopular. Freud recebe insultos e injúrias; é taxado de imoral, obsceno e não é mais cumprimentado na rua.

Enquanto seus predecessores se empenharam minuciosamente em classificar, etiquetar, enfim, a traçar o inventário das perversões sexuais, Freud realiza uma virada fundamental e profundamente inovadora. A contribuição de Freud para a compreensão da perversões não vem do tipo de material clínico observado, mas da afirmação escandalosa de que as tendências perversas catalogadas pelos seus colegas como aberrações humanas assombram o espíritos de todos os homens, inclusive daqueles que as catalogaram estando também presentes nas crianças: “a criança é um perverso polimorfo”.

Freud afirma que o inconsciente dos homens é animado pelos desejos que os perversos põem em cena. Na perversão, as pulsões inconscientes aparecem “a céu aberto”; no neurótico as pulsões agem na clandestinidade, disfarçadas de várias maneiras, através dos sintomas: “a neurose é o negativo da perversão”. As perversões sexuais deixam então de ser uma prática que só eles – os perversos – exibem e passam a ser entendidas como algo presente, ainda que no inconsciente, em todos os seres humanos. Como diz Hamlet no final do segundo ato: “a se tratar cada homem segundo seu merecimento, quem escapará do açoite?”

A tudo isto acrescenta-se um outro escândalo que contraria a visão que a biologia, a moral, a religião e a opinião popular têm da natureza da sexualidade: o objetivo da sexualidade humana não é a procriação; ela escapa à ordem da natureza, agindo a serviço próprio: ela é contra a natureza.

A visão freudiana da pulsão sexual diversificada, anárquica, plural e parcial – oral, anal, escopofílica, vocal, sádica, masoquista e tantas outras roupagens que ela pode tomar – abre uma nova dimensão para se pensar a perversão que ultrapassa as fronteiras da sexualidade genital.

É assim que certas posturas teóricas que se reivindicam detentoras da Verdade e cuja preocupação central é de encaixar o sujeito numa categoria de diagnóstico, as práticas clínicas daí advindas com conseqüências por vezes catastróficas na relação transferencial, determinadas atitudes dos discípulos de seitas psicanalíticas que traduzem um embotamento de qualquer atividade crítica e outros tantos fatos de observação cotidiana, tudo isto conforta a idéia dos efeitos hipnóticos perversos que as identificações aos ideais podem provocar.

Gostaria de centrar o debate em um dos espaços onde as potencialidades de perversão podem ser observadas de forma privilegiada: a televisão. Como já foi dito, as pulsões constituem os elementos de base do psiquismo humano. Estes elementos recalcados, sempre prontos a fazerem irrupções brutais nos mais variados lugares para a obtenção de prazer imediato e ao menor preço possível, utilizam-se de representações oferecidas pelo mundo externo na busca de descarga que produza satisfação.

Os efeitos perversos de televisão

Existe no imaginário popular uma tendência a circunscrever a perversão unicamente ao sexual. Tal posição, reducionista e perigosa, reflete um moralismo que insiste em discutir problemas de alcova, deixando fora do debate as verdadeiras questões éticas. É assim, por exemplo, que muitos se chocam com cenas de sexo na televisão, mas toleram com naturalidade constrangedora situações onde a violência, que podem incluir o estupro, e o desrespeito ao outro (mulheres, crianças, minorias) são exibidas de forma perversa.

No caso de crianças o efeito desta situação é particularmente preocupante. Sabemos da importância dos pais na estruturação do mundo interno destas últimas. Na constituição da psicossexualidade, os investimentos libidinais, que traduzem movimentos pulsionais, se dirigem aos genitores. Ora, quando estes não servem de suporte identificatório a criança buscará modelos fora do âmbito familiar. Igualmente, para construir seu sistema de valor ético-moral a criança pode tomar, quando faltam-lhe referências no ambiente onde está inserida, aquilo que a televisão mostra como coordenadas de base.

Cenas que evocam violência, agressividade, aquelas que sugerem relações baseadas na desconfiança, na falta de solidariedade e outras tantas, podem incentivar comportamentos e propor “valores éticos” divergentes daqueles necessários para a construção de uma estrutura social calcada no respeito e no direito do cidadão.

Quanto aos adolescentes, a situação tampouco é simples: estes buscam modelos externos durante o período de separação e luto dos modelos familiares. Um exemplo das múltiplas derrapagens é o recurso à droga – ou à violência, à uma sexualidade compulsiva etc. Aqueles carentes de referências encontram nestes expedientes respostas lá onde os pais, e em seguida a sociedade, nada lhes propõem, “assegurando” ao sujeito a ilusão de pertencer a um grupo e propiciando-lhes, ao mesmo tempo, uma defesa contra o perigo de se entrar em contato com representações inconscientes, cujos conteúdos são potencialmente depressivos.
Alguns movimentos anti-sociais dos adolescentes traduzem bem esta configuração. Em ambos os casos – crianças e adolescentes – quando o mundo interno se encontra mal estruturado e pobre em imagos identificatórias, a televisão pode oferecer “soluções” a conflitos internos.

Mas os adultos não estão ao abrigo do retorno de elementos da sexualidade infantil: a atração que produzem determinados programas reatualizam complexos inconscientes. A televisão passa a ser então uma válvula de escape para moções pulsionais recalcadas: é o caso de alguns programas, filmes, ou barbaridades descritas pelos jornais e revistas, às quais assistimos, ou lemos, num misto de horror e fascínio.

Toda leitura do mundo que se defina como única e verdadeira produz necessariamente uma perversão pois representa apenas uma das possíveis traduções do real. Muitas vezes a realidade criada pela televisão, seja na publicidade ou nos programas, pode exibir, ainda que camuflada, um grau de perversão altamente sofisticado na medida em que, seguindo normas rígidas do mercado em acordo com interesses econômicos dos patrocinadores propõe, sobretudo às crianças e aos adolescentes, referências de comportamento e de consumo por vezes em completa contradição com suas realidades sócio-econômicas.

As potencialidades de perversão são inúmeras e certas programações da televisão podem ser altamente nefastas para a sociedade mesmo quando a intenção inicial não foi perversa. Trata-se, então, menos de saber se determinada cena mostrada na TV é EM SI perversa mas antes, em que circunstância, em que contexto, tal cena pode produzir efeitos perversos.

Paulo Roberto Ceccarelli*

e-mail: pr@ceccarelli.psc.br

* Psicólogo; psicanalista; Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII; Membro da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental; Membro da “Société de Psychanalyse Freudienne”, Paris, França; Consultor científico (Editorial Reader) do “International Forum of Psychoanalysis”; Membro do Conselho Científico da Revista Psychê; Membro do Conselho Científico da Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental; Membro Fundador da ONG TVer; Vice-presidente do TVer-MG; Professor Adjunto III no Departamento de Psicologia da PUC-MG; Conselheiro Efetivo do X Plenário do Conselho Regional de Psicologia da Quarta Região (CRP/O4).

Maio 8, 2009

Avohai

Arquivado em: Amizade, Experiência Pessoal, Música — rose @ 1:25 pm

Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei
Vou lavar de madrugada e na cratera, condenada, eu me calei
E se eu calei foi de tristeza você cala por calar
Mais e calada vou ficando só falo quando mandar
Rebuscando a consciência com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa,
girando na carrapeta no jogo de improvisar
Entrecortando eu sigo bem a linha reta
Eu tenho a palavra certa prá doutor não reclamar

Avohai Avohai Avohai Avohai

Março 23, 2009

Sussurros

Arquivado em: Amizade, BDSM, Entrega, Humilhação, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 6:12 pm

Estava lendo o blog da Rainha Frágil gosto do blog dela.

No fim do texto que acabei de ler está a parte mais legal, diz assim: “Se você deseja serví-la, sirva e não espere nada em troca.  Esteja presente. Suporte o desprezo. Esteja disponível. Se deseja serví-la, faça desde já.”

Li e pensei: são os sussurros da minha mente submissa que nunca haviam sido transcritos em palavras… é, agora alguém transcreveu ;)

Março 19, 2009

Dor

Arquivado em: Experiência Pessoal — rose @ 6:27 pm

dor11

 

perder1

Perda

Arquivado em: Experiência Pessoal — rose @ 4:58 pm

dorchorei

Março 16, 2009

Suécia retira sadomasoquismo da lista de doenças mentais

Arquivado em: BDSM, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 2:24 pm

O governo sueco desclassificou há alguns dias como transtornos mentais alguns comportamentos sexuais antes considerados “desviantes”. As autoridades consideraram que o sadomasoquismo, o fetichismo e o travestismo são preferências sexuais como outras quaisquer, e que mantê-los na lista de doenças era uma forma de discriminar e estigmatizar seus praticantes.

O país é o primeiro a atender às reivindicações do Revise F65, um movimento internacional que pede a retirada dessas três práticas do Catálogo Internacional de Doenças – CID. O CID é mantido pela Organização Mundial de Saúde e revisado periodicamente, e o Revise F65 luta especificamente contra os itens F65.0, F65.1, F65.5 e F65.6 do catálogo.

Com a adesão da Suécia, é provável que aconteça com o sadomasoquismo e demais fetiches o que aconteceu com a homossexualidade há algumas décadas atrás: o entendimento de que são apenas estilos de vida diferentes do habitual, que podem ser praticados de forma saudável, por pessoas perfeitamente integradas à sociedade.

O tema veio à baila na época em que a ONU estava fazendo inspeções no Iraque para verificar a existência de armas de destruição em massa. Um dos inspetores era integrante de um conhecido clube sadomasoquista de Washington, e foi muito criticado por setores da opinião pública por isso. Ele chegou a pedir demissão do cargo, mas o chefe da equipe, Hans Blix (coincidentemente, sueco), negou-lhe a dispensa, alegando que era um técnico competente e que seus gostos pessoais não tinham relevância no caso.

Os praticantes do sadomasoquismo garantem que a prática é saudável e segura. Afinal, é apenas um teatro, onde não há violência real ou coerção, e onde toda “submissão” é voluntária. Diz-se até que, na verdade, é o escravo que tem o controle da situação, porque toda vez em que achar que o mestre está indo longe demais, basta pronunciar a “senha de segurança” (safe word) que seu dominador é obrigado a interromper imediatamente o que estiver fazendo.

Cena de "Verfolgt"

Para os interessados no assunto, eu indico o excelente filme alemão Verfolgt (Castigue-me), de 2006, que mostra uma relação sadomasoquista entre um jovem delinqüente e sua monitora de liberdade condicional, uma mulher de meia idade que tinha uma vida tranqüila, até que o jovem lhe pede que exerça sua autoridade de forma muito pouco convencional.

A carga emocional da relação entre os dois (onde não há sexo propriamente dito) é enorme, e transforma profundamente as suas vidas. É um filme brilhante, com uma fotografia espetacular em preto e branco, e que deve ser visto de mente aberta.

É claro que não será lançado no Brasil.

 

O Texto acima foi retirado do site: http://marcuspessoa.net e expressa opinião de seu autor.

Março 7, 2009

Então você quer ser uma escrava? A realidade por miria hunter

Arquivado em: BDSM, Entrega, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 10:44 pm

Eu decidi escrever esse artigo porque eu tenho visto muitas submissas entrando nesse estilo de vida esperando que as coisas sejam perfeitas, como se fosse um sonho. Eu não desejo arruinar os sonhos de ninguém, nem afastá-las da idéia, mas o que eu desejo é explicar como as coisas realmente são.Ser uma escrava pode ser, e tem sido para mim, uma vida maravilhosa. É tudo o que eu sempre quis ser. É também mais do que eu esperaria, e ter alguém explicando para mim as realidades, antes da minha decisão, teria facilitado a minha transição.

Para os objetivos desse artigo, estarei endereçando as questões relativas à ser uma escrava 24×7. Os comentários são meu ponto de vista, ou seja: uma escrava tendo um Dono. Mas isso não exclui outras combinações (masculinas- femininas). Claro que, para essas outras, não posso comentar sobre experiências pessoais. O que segue são as minhas experiências da vida real.

Primeiro, há algumas coisas que você precisa descobrir a seu respeito. Você quer estar numa relação 24×7? Quem sabe você deseja somente ser escrava durante as sessões? Ou talvez você deseje ser escrava apenas durante algumas atividades. Há diversas maneiras para ser uma escrava, e você terá que descobrir por você mesma o que é o adequado para você.

Segundo, você terá que aprender a ser honesta consigo mesma. Descubra o que você fará e o que não fará e o que poderá ser um “talvez”. Procure dentro de você o que você realmente deseja e, quando você o descobrir, seja honesta com quem você troca idéias. Não concorde com algo no longo prazo que você sabe que não poderá cumprir. Pergunte a você mesma as questões mais duras. O restante deste artigo irá mostrar para você a realidade de algumas situações nas quais você poderá basear suas decisões, em lugar de sonhos de terceiros sobre como poderia ou deveria ser.

Estará você preparada para abrir mão de 100% do controle da sua vida para alguém? Escravas 24×7 fazem isso. Em sessões ou cenas, isso acontece e seu Dono terá controle total mas, após o final, tudo voltará ao normal.

Você gosta de música “country”? Ou, quem sabe, Rock and Roll? Considere isso. O Dono, cuja coleira você eventualmente irá usar, poderá gostar somente de música clássica ou outro tipo que você não gosta. Será que você está preparada para abrir mão das suas seleções para ouvir somente a música que ele gosta?

Este tipo de sacrifício pode ocorrer com várias outras coisas que você hoje gosta. Eu, por exemplo, raramente consigo escutar o tipo de música que aprecio, porque ele prefere Hard-Rock. Quando eu sou uma boa garota ele, eventualmente, permite que eu ouça as minhas músicas, desde que todas as minhas tarefas estejam cumpridas. Note que eu disse “permite”. Uma coisa simples como ouvir música passa a ser uma recompensa para mim. Não é garantido que você terá essa ou outra permissão quando você o desejar. E esse tipo de limitação poderá ser aplicado a quaisquer outros pequenos prazeres que você tenha, como ver TV, escolher seus amigos, ou qualquer outra coisa.

Há algum tipo de roupa que você goste? Cores ou perfumes que você sempre gosta de usar? Se seu Dono não aprovar, pode ser que você se veja usando roupas e cores com as quais você jamais sonharia. Quem sabe ele poderá escolher as suas roupas pela manhã? Será que você está preparada para aceitar graciosamente as escolhas dele? E se ele escolher roupas totalmente inapropriadas para o local onde você irá? Você aceitará sem hesitação? Eu tenho a sorte dele permitir que eu escolha as minhas roupas a maior parte das vezes. Mas, a qualquer tempo, ele poderá desejar que eu use outra coisa e eu terei que me trocar imediatamente. E, acredite-me, ele realmente pode exercitar esse direito. Eu aprendi a sempre perguntar o que ele deseja que eu use, quando vamos a algum local especial.

Estará você preparada para trocar seu estilo de cabelo, cor ou comprimento, para satisfazer seu Dono? Tudo isso passará a ser decisão dele, após você aceitar a sua coleira, da mesma forma que qualquer outra coisa que foi sua. você não mais terá nada. A partir do momento no qual você aceitar a coleira, tudo será dele. Você não mais terá o “seu” carro ou “suas” roupas, mas “dele”, que as emprestará a você quando ele o desejar. Se ele desejar, você não usará nenhuma roupa. Isso será escolha dele e não sua. Lembre-se: você terá que abrir mão do seu direito de escolha.

Você tem uma cadeira favorita ou uma certa forma de sentar ou caminhar? Seu Dono decidirá se você sentará na cadeira ou no chão. Ele terá a palavra se você irá cruzar as suas pernas ou se sentará com elas bem abertas. Você terá que pedir permissão para deitar-se ou para sentar-se. A maioria das escravas tem direito a um colchão no chão, sobre o qual podem deitar-se sem pedir permissão, porém a liberdade termina por ai. Você terá até que pedir permissão para sentar-se à mesa para comer junto do seu Dono.

Foi um dia cheio no trabalho. Você chega em casa desejando apenas tomar um bom banho e relaxar. Bem, isso depende da vontade DELE. Estar cansada, sentindo-se mal ou até doente não a libera das suas tarefas básicas de preparar a refeição dele, cuidar das coisas dele e você irá para a cama quando ele ordenar, estando você preparada ou não. Não haverá um “estou muito cansada” ou “não me sinto bem” ou até “estou na TPM”; nada disso. A menos que ele libere você das suas tarefas, será sua responsabilidade executá-las.

É sua responsabilidade informar seu Dono sobre seu estado de saúde. Afinal, cabe a você cuidar da coisas dele e você é uma das coisas que ele mais preza. Sabendo do seu estado, ele provavelmente liberará você das suas obrigações e cuidará para que você sinta-se melhor breve, em condições de voltas às suas atividades e capacidades.

Muitas vêm para este estilo de vida esperando serem usadas sexualmente, para servir seu Dono quando ele o desejar. Mas eles nem sempre consideram esse aspecto. O aspecto predominante na vida da escrava é estar à serviço do Dono e não ser servida por ele. Entretanto, estar sempre pronta para ele, a qualquer hora, pode ser uma expectativa não prevista. A velha desculpa “hoje não, querido, estou com uma dor de cabeça” não funciona no ambiente D/s.

Para assegurar que ele tenha prazer, você deve sempre expressar o seu prazer também. Nunca faça-o sentir que sexo é uma obrigação para você; algo que você só faz por ser parte da situação. Ao contrário, demonstre que você tem prazer com a relação.

Se seu Dono mandar você fazer alguma coisa, você não poderá questioná-lo. É sua obrigação responder ou agir sem fazer perguntas. Mais tarde, se isso for permitido na sua relação com ele, você poderá pedir permissão para fazer suas perguntas. Entretanto, é importante que você as faça apenas para satisfazer sua curiosidade, jamais para questionar a autoridade dele.

Você acha que ser uma escrava é ser coagida, forçada a servir? Você acha que você jamais poderia fazer isso a menos que fosse coagida? Então, pense de novo. Escravas entram no relacionamento por livre escolha. Não estamos mais nos dias de escravidão forçada; é uma questão de escolha. Sua escolha! Você é a pessoa que irá decidir entregar seu poder para seu Dono. E você irá fazer isso não porque você será forçada a tal, mas porque você precisa disso. Sim, durante seu relacionamento, você será obrigada a fazer coisas, mas nunca será nada contra aquilo que você é. Seu Dono poderá sentir que o fato de você obedecer a um determinado comando ajudará você a ser uma pessoa melhor ou ajudará você a se desinibir.

E como é o seu temperamento? Será você uma “estouradinha”, sempre pronta a perder o controle quando está zangada? Ou será você uma dessas que tudo aceitam e, de repente, se aborrecem por acharem que seus sentimentos foram feridos? Um Dono não deseja ter um capacho como escrava, nem alguém que viva tentando dizer a ele como fazer as coisas. Aprender quando e de que forma dizer as coisas será algo muito importante no seu relacionamento. Se você não disser ao seu Dono o que a incomoda, então você não terá nenhum direito de ficar zangada posteriormente. Por mais que você o ache onipotente e maravilhoso, ele não lê mentes: a menos que você diga, ele não terá como saber. A chave, como eu disse há pouco, é saber como dizer a ele.

Sua auto-disciplina é muito importante nessa relação. Você tende a postergar as coisas? Você não poderá fazer isso tendo um Dono. Haverão tarefas que seu Dono te dará que ele espera que sejam cumpridas numa forma e velocidades definidas por ele e não por você. Os desejos e necessidades dele serão colocados antes dos seus. Auto-disciplina é semelhante à auto-controle. Sua habilidade em completar as tarefas definidas pelo seu Dono será muito importante. Como uma escrava, você terá a necessidade de controlar suas ações de forma a permanecer dentro dos limites impostos por ele.

Se ele disser que você não pode algo, você simplesmente não pode. Fazendo de qualquer forma ou não contando a ele não torna a atitude correta. No caso de uma relação Dono/escrava, o que ele NÃO sabe pode machucá-lo da mesma forma que pode machucar a relação que você levou tempo para construir. Mesmo uma simples mentira “inócua” pode destruir a confiança necessária para realmente estabelecer esse tipo de relacionamento.

Sobre as suas necessidades e vontades: você sabe a diferença entre elas? Se ainda não, eu recomendo fortemente que você as descubra antes de entrar na servidão. Algumas vezes pode ser difícil distinguir, mas será importante que você faça isso. Seu Dono irá assegurar que todas as suas necessidades sejam satisfeitas, mas as suas vontades, ou desejos, serão uma opção dele permitir ou não. Necessidades são requerimentos da vida para que você se mantenha saudável física e emocionalmente. Isso nos permite crescer espiritualmente e emocionalmente. Se você pode sobreviver sem uma determinada coisa, então essa é apenas uma vontade. E vontades são usualmente dadas como recompensa por bom comportamento.

Para ser uma escrava, haverão uma série de coisas a aceitar dentro de você e situações às quais se adaptar. Seu primeiro objetivo na vida será ver o prazer (tanto mental, quanto físico) do seu Dono, da forma em que ele o deseja. Para fazer isso, você deverá aprender bem sobre ele. Descubra o que o agrada e o que o desagrada. E, note que isso não significa apenas na área sexual. Você aprenderá que o sexo é apenas uma parte do seu relacionamento.

Aprenda a antecipar todas as necessidades dele, sem que seja algo forçado. As necessidades e vontades dele compreenderão estímulo intelectual, prazer físico, apoio emocional e outras coisas que serão únicas à ele. Lembre-se: físico não é apenas sexual. Prazer físico poderá incluir, sem estar limitado à, tocar, massagear, petiscos favoritos, roupas e cores, como exemplo. Será seu trabalho garantir que os prazeres físicos dele sejam satisfeitos de todas as formas. Pense sobre os cinco sentidos a torne o ambiente agradável para ele. Nunca esqueça: a coisa mais agradável para ele deve ser você.

Como escrava dele, você deverá descobrir o que agrada o seu Dono. Ele não deverá precisar pedir constantemente por coisas básicas – você deverá aprende-las. Se o copo dele está vazio, quietamente e de forma oportuna, você o encherá. Lembre-se você está fazendo isso para o prazer dele e não o seu. Apenas por ele não notar ou agradecer, não quer dizer que você esteja fazendo errado. Observe o sorriso dele. Ele está confortável? Se ele estiver alegre e contente, então você está trabalhando bem e o contentamento dele deve ser a sua recompensa. Mantenha em mente que você faz as coisas para ele e não para a sua própria satisfação. Sua felicidade deve vir de servir a ele e do fato dele estar alegre.

Como eu disse no início desse artigo, não estou tentando amedrontar e afastar você do mundo D/s. Meu objetivo é assegurar que, uma vez que você entre nesse mundo, você o faça de olhos abertos, sabendo completamente o que esperar. A estrada não será fácil. Você deverá re-aprender muita coisa do que você sempre teve como garantida: coisas que você faz sem nem mesmo pensar, como simplesmente sentar numa cadeira. Estes são ações sobre as quais a gente nem pensa mais. Isto é, até que você encontre o seu Dono.

Tudo o que você aprendeu antes de ler esse artigo provavelmente é verdade. Ser uma escrava é uma vida maravilhosa: é onde você é cuidada por alguém. A maior parte das decisões está fora das suas mãos e nas mãos do seu Dono. Mas muitas decisões ainda serão deixadas para você tomar. A maior parte dos Donos desejam uma escrava que seja esperta, que tenha senso de humor e vontade própria. Não há prazer em ter um capacho que apenas fica lá, aguardando ser pisada. Ele ficaria aborrecido bem rápido. Ser você mesma é o melhor conselho que posso dar e isso tem sido uma verdade absoluta para mim.

Ser uma escrava será tudo o que você sempre sonhou e muito mais, se você entrar nessa vida sabendo exatamente o que esperar dela. Se você realmente desejar esse tipo de vida, você perceberá que, logo após você entrar nela, você estará flutuando no ar. Partes do seu ser que nunca foram completas ou satisfeitas se completarão. Entregando o controle a outra pessoa, eu encontrei a minha liberdade: a liberdade de descobrir e ser a pessoa que eu sou, por dentro.

Espero que, após ler esse artigo, você seja capaz de fazer uma escolha mais consciente sobre esse tipo de vida. Nunca esqueça que o requerimento mais importante para a existência desse tipo de vida é a honestidade. Honestidade para com você mesma, em primeiro lugar. Entretanto, você descobrirá que isso não é tão fácil quanto parece. Uma vez que você aprender isso, você encontrará a sua paz e poderá entrar na servidão com sua mente clara, sabendo onde você está e para onde você deseja ir. Quando você aceitar a coleira do seu Dono, você abrirá mão dos seus direitos. Seus amigos, sua vida – nada permanecerá como seu. Ser uma escrava significa abrir mão de muito mais do que ser apenas uma submissa. Você abrirá mão de todos os seus direitos na vida. Escrava não é apenas uma palavra; é um estilo de vida, uma ação definida.

Tradução do original: “So, you want to be a slave ? The Realities”, by miria hunter.

http://fetishexchange.org/slave-realities.shtml

Traduzida pelo Carcereiro

 

Março 5, 2009

Guardei-me para Ti, como um segredo

Arquivado em: Entrega, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 11:01 pm

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Guardei-me para Ti


Guardei-me para ti como um segredo
Que eu mesma não desvendei:
Há notas nesta guitarra que não toquei,
Há praias na minha ilha que nem andei.

É preciso que me tomes, além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei.

Lya Luft

Janeiro 28, 2009

Práticas sexuais ditas “desviantes”: perversão ou direito à diferença?

Arquivado em: BDSM, Freud, Masoquismo, Pensadores, Psicanálise, Sadomasoquismo — rose @ 12:12 pm

PRÁTICAS SEXUAIS DITAS “DESVIANTES”:

PERVERSÃO OU DIREITO À DIFERENÇA?

 

in Revista Terapia Sexual – Clínica – Pesquisa e Aspectos Psicossocias, Vol. VI, 1, 34-52.

(Trabalho apresentado no 16th World Congress “Sexuality and Human Development: From Discourse to Action” 10-14 March, 2003 Havana, Cuba)

 

 

 

 

Autora: Maria Cristina Martins, Psicóloga Clínica e Especialista em Sexualidade Humana – Unicamp – Campinas – SP – BRASIL

E-mail: machriss@globo.com

 

Co-autor: Paulo Roberto Ceccarelli, Psicólogo, Psicanalista, Ph.D em Psicopatologia e Psicanálise por Paris VII, Paris – França; Professor do Dep. De Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – BRASIL

E-mail: pr@ceccarelli.psc.br

Homepage: www.ceccarelli.psc.br

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

A dinâmica da sexualidade humana – o que leva um sujeito a ter a sexualidade que tem – vem sendo objeto de estudo desde a Antiguidade sem que um consenso tenha sido alcançado, o que têm levado à busca de novos paradigmas para compreender os comportamentos sexuais ditos “desviantes”. Uma das razões que dificulta a compreensão dos interesses sexuais não convencionais é que o paradigma sexual tradicional, baseado na psicologia, psiquiatria como também na opinião popular, assume que a procriação é a mais importante função biológica (Fog, 1992). A maioria dos dados coletados e estudados sobre comportamentos ditos “desviantes” foram baseados em casos considerados patológicos. Tais estudos foram feitos sob a ótica médica forense, ou tendo como referência pessoas que procuravam tratamento psiquiátrico e/ou psicológico por suas preferências sexuais  “desviarem” do comportamento sexual “normal” (Ceccarelli, 2000). Este último entendido como o relacionamento sexual heterossexual, finalizado com a penetração genital e com o intuito de procriar. Certas práticas sexuais ditas “desviantes” como o Sadismo e o Masoquismo Sexual, como também o  Fetichismo são categorizados como “parafilias” e comportamentos disfuncionais  pelo  Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 4a Edição (1995) da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde -10th Revisão (1999) da Organização Mundial da Saúde, o que tem gerado muitos debates em relação ao seu critério diagnóstico, com o qual muitos profissionais  que se interessam pelo estudo das práticas sexuais “alternativas”, não concordam.

 

O objetivo do presente estudo é explorar a sexualidade humana nas suas mais diversas variações como o BDSM (Bondage/Disciplina, Dominação/Submissão, Sadismo/Masoquismo) ou SM, Fetichismo, através de um questionário on-line enviado à um grupo de pessoas que se descrevem como praticantes de BDSM e Fetichismo e que tem na Internet o seu referencial para a troca e procura de informações, assim como para a procura de parceiros que partilham das mesmas fantasias sexuais.

 

Este estudo não tem a intenção de incentivar ou condenar a escolha de práticas sexuais, mas explorar a diversidade da sexualidade humana adulta de um grupo de pessoas dentro do contexto da sociedade brasileira contemporânea.

 

MÉTODO

Um e-mail foi enviado às várias listas de discussão e classificados postados em websites dirigidos aos praticantes de BDSM consensual e Fetichismo do Brasil e que utilizam a Internet como um meio para a troca e obtenção de informações e contatos com pessoas que partilham das mesmas fantasias sexuais. Explicou-se o caráter exploratório do estudo, o qual seria basicamente conduzido por e-mail, onde a identidade real dos participantes seria preservada. Os interessados deveriam ter mais de 18 anos de idade, não importando sua orientação sexual e estado civil. Aos voluntários foi pedido que entrassem em contato replicando ao e-mail enviado. Cento e onze pessoas de vários estados brasileiros manifestarem interesse em participar. Foi-lhes enviado, então, um questionário abordando questões como: o que os levava a usar a Internet; quais as práticas sexuais em que estavam envolvidos; como e quando se interessaram por atividades sexuais consideradas “diferentes” e como se sentiam em relação a ter prazer com práticas consideradas não convencionais.

 

Informações sobre a idade, formação religiosa, sexo, estado civil, nível de escolaridade, e orientação sexual, também foram objeto de interesse para a pesquisa. Não foi objetivo do presente estudo, estabelecer critérios diagnósticos da amostra pesquisada nem tampouco descrever em detalhes as práticas sexuais não convencionais.

 

 REVISÃO

 Apesar da crescente evolução observada ao longo dos anos nas ciências humanas e nas áreas tecnológica e científica, a sexualidade ainda é objeto de muita especulação, preconceitos e tabus. Se observarmos as diversas reações da atualidade frente às manifestações sexuais, veremos o quanto tais reações permanecem imutáveis ao longo da história. Embora a “revolução sexual” dos anos sessenta e os inúmeros movimentos objetivando o reconhecimento dos direitos humanos, sobretudo os feministas, tenham mudado o cenário social, a sexualidade continua sendo um enigma para o ser humano e objeto de muitas discussões desde a Antiguidade.

 

No séc. V, a partir dos grandes Padres da Igreja – Agostinho, Jerônimo e Tomás de Aquino, o cristianismo passa a vincular sexualidade e procriação: o exemplo inquestionável a seguir é a vida “naturalmente heterossexual” dos animais. Toda prática sexual que escapasse a esta norma traria o chamado “estigma negativo do prazer”. Surge a partir de então, uma forma de moralidade que é essencialmente uma moralidade sexual. As práticas “contra a natureza” – consideradas atentado ao pudor, aos bons costumes, e à opinião pública – acarretam severas sanções para que o “normal” seja mantido. Entretanto, a história assim o mostra, tal objetivo nunca foi alcançado: a sexualidade sempre escapou a toda e qualquer tentativa de normatização (Ceccarelli, 2000).

 

Na segunda metade do século XIX aparece o discurso psiquiátrico contemporâneo que, marcado pela mesma visão moralista, dá continuidade às posições teológicas e jurídicas, trazendo para a ordem médica o que, até então, era do jurídico. Os grandes psicopatólogos da época, dentre eles, Havellock-Ellis (1888) e Kraftt-Ebing (1890), classificaram e etiquetaram as práticas sexuais que escapavam aos ditames morais. Traçou-se um minucioso inventário das sexualidades ditas desviantes, onde novas formas de práticas sexuais, que utilizam o outro para a obtenção de prazer e a finalidade natural da sexualidade – a procriação – é subvertida, são criadas: homossexualismo, voyeurismo, exibicionismo, sadismo, masoquismo, juntando-se à infindável nosografia psiquiátrica da época. É também nesta época que termos que, mais tarde, tornaram-se clássicos, são aí introduzidos: perversão (1882, Charcot e Magna), narcisismo (1888, Havellock-Ellis), auto-erotismo (1899, Havellock-Ellis), sadismo e masoquismo (1890, Krafft-Ebbing) [Ceccarelli, 2000].

 

No final do Séc. XIX, e de forma ainda mais contundente no início do XX, Sigmund Freud em seu texto mais importante sobre a sexualidade, os “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” publicado em 1905, sustenta que subordinar a sexualidade à função reprodutora é “um critério demasiadamente limitado”. Na perspectiva freudiana, a sexualidade é contra a natureza, ou seja, em se tratando de sexualidade, não existe uma “natureza humana”. (Ceccarelli, 2000).

 

Joyce McDougall e o conceito de “Neo-Sexualidade”

A autora contemporânea Joyce McDougall (1997) fez uma importante e inovadora leitura crítica de Freud em relação à perversão. Segundo a perspectiva teórica desta autora, a palavra “perversão”, denota uma conotação depreciativa e em direção ao mal, já que nunca se ouve que alguém foi “pervertido” para o bem. A autora sustenta que além da implicação moralista no uso vernacular da palavra, o atual padrão de classificações psiquiátricas e psicanalíticas é igualmente questionável. Ao se rotular e diagnosticar alguém como “neurótico”, “psicótico”, “psicossomático” ou “perverso”, não se leva em consideração as inumeráveis variações de estrutura psíquica de cada categoria clínica, perdendo-se de vista o aspecto mais notável aspecto dos seres humanos em sua estrutura genética, que é a sua “singularidade” (McDougall, 1997, p 186). Em relação às chamadas sexualidades perversas como o fetichismo e as práticas sadomasoquistas, constata que as mesmas acontecem na qualidade de jogos eróticos nas atividades sexuais de adultos não-perversos, sejam estes heterossexuais ou homossexuais, sendo que tais práticas não despertam conflito, pois não são experienciadas como compulsivas ou como condições exclusivas para o prazer sexual. Já os adultos heterossexuais e homossexuais que só tem roteiros eróticos fetichistas ou sadomasoquistas, para os quais essas práticas sexuais são a única via de acesso às relações sexuais, deve-se tomar o cuidado quanto a desejar que essas pessoas percam essas versões heterodoxas de desejo, simplesmente porque podem ser consideradas sintomáticas. Ao invés de “perversão”, McDougall (1997, p 188) prefere nomeá-las como “neo-sexualidades”. Segundo a autora, o termo “perversão” seria mais apropriado “como um rótulo para atos em que um indivíduo impõe desejos e condições pessoais a alguém que não deseja ser incluído naquele roteiro sexual (como no caso do estupro, do voyeurismo e do exibicionismo) ou seduz um indivíduo não-responsável (como uma criança ou um adulto mentalmente perturbado”).[McDougall, 1997, p 192].

 

Os Manuais de Saúde Mental e o Projeto ReviseF65

 Svein Skeid é um dos  responsáveis pelo projeto ReviseF65 ou Projeto CID (www.revisef65.org), o qual tem como objetivo através de um website e um grupo de discussões na Internet de mobilizar grupos SM/Couro/Fetichista e profissionais da área da saúde mental mundial, com o intuito de retirar o diagnóstico psiquiátrico (”parafilias”) do Fetichismo, Transvestismo e Sadomasoquismo, da Classificação Estatística Internacional das Doenças e Problemas de Saúde (www.revisef65.org/ICD10.html), publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O diagnóstico de “parafilia” pode servir como justificativa à estigmatização e violência contra as minorias sexuais. Vários relatos de violência contra praticantes do Sadomasoquismo e Fetichismo, podem ser encontrados no website do ReviseF65 (www.revisef65.org). A U.S Leather Leadership Conference relata que de trinta a cinqüenta por cento da população SM sofre discriminação, violência ou perseguição devido a sua orientação sexual. O Projeto CID (ICD) afirma “que estigmatizar minorias através de diagnóstico de sua orientação sexual é tão desrespeitoso como discriminar pessoas por sua raça, etnia ou religião (www.desejosecreto.com.br/revisef65.html). Trata-se sem dúvida de uma proposta legítima em defesa dos direitos humanos das minorias sexuais.

 

Países como a Dinamarca, em consonância com as necessidades e direitos legítimos das minorias sexuais, retirou totalmente o diagnóstico de sadomasoquismo em 1995 de seus manuais de saúde.

 

O Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais-4a.Edição (DSM-IV, 1995, pp 495), também classifica o Fetichismo, o Sadismo e o Masoquismo Sexual como “parafilias”, onde além de ter fantasias e impulsos sexuais, recorrentes e intensos ou comportamentos envolvendo tais práticas (Critério A), essas fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo (Critério B).[DSM-IV, 1995, p 495]. Caso o Critério B não seja atendido, as variantes sexuais acima não são consideradas patológicas ou sintomáticas, configurando-se apenas uma variação da sexualidade humana adulta.

 

Devido à falta de informação, desconhecimento do que se tratam as práticas eróticas consensuais, seus praticantes são erroneamente confundidos com vítimas ou perpetradores de atos coercitivos de violência e abuso sexual.

 

Conceitos e Práticas BDSM

As práticas sadomasoquistas consensuais e fetichistas não são facilmente definidas, pois abrangem um leque de comportamentos onde muitos dos praticantes não apreciam todos os papéis e atividades, estando a descrição detalhada de cada prática BDSM e fetichista, fora do âmbito do presente estudo. Focaremos, no entanto, os termos mais gerais.

O termo “BDSM’, que se refere ao universo sadomasoquista como um todo, envolve todos os seus aspectos – dominação, submissão, bondage, disciplina, sadismo e masoquismo, enquanto “SM” significa “sadomasoquismo” (Paschoal, 2002, p 14). Entretanto, a relação entre os dois termos é análoga à distinção entre os termos “homossexual” e “gay” (Moser, 1996, p 24).

Segundo a perspectiva teórica deste autor, “Dominação e Submissão (DS), implica na transferência deliberada do controle psicológico e sexual de um parceiro para o outro, sem que haja necessariamente, elementos de dor física ou humilhação. O termo “Bondage e Disciplina”,  “B&D” ou B/D, refere-se às práticas sexuais com variados tipos de imobilização ou restrição física, enquanto “Disciplina” indica a representação de fantasias que se relacionam à punição/castigo, como por ex, a fantasia  “professor/estudante”. “Humilhação” refere-se às cenas de “role-play” nas quais o parceiro dominante detém o controle do poder sobre o parceiro submisso, infligindo e ritualizando torturas psicológicas, como insultos verbais de conotação sexual. Em relação aos termos “sadista” e “masoquista”, existe uma conotação mais fisiológica, de natureza sexual, onde as pessoas experimentam sensações de prazer ao dar e/ou receber cuidadosamente controladas sensações de dor, como no caso de levar chineladas ou chicotadas (Moser, 1996, p 25). Já a palavra “leather” é usada na comunidade sadomasoquista por gays e lésbicas (Moser, 1996, p 63).

 

Outros comportamentos também geralmente incluídos na prática sadomasoquista são o “age-play”, um fetiche no qual exige-se que o parceiro atue como tendo uma idade diferente, algumas vezes mais velho ou mais novo (representando um bebê, por ex.); a feminização forçada ou voluntária dos submissos masculinos que vestem saltos altos, cintas-ligas e vestimentas femininas (crossdressing) e também jogos sexuais que envolvem urinas e excrementos. Paschoal (2002, p 16) sustenta  que  “cada um desses conceitos tem aspectos pessoais, individuais e únicos, tais como as pessoas que os praticam…Cada um é livre para escolher qual deles prefere e como prefere….Não há como seguir os vários conceitos de forma literal, já que a criatividade humana e as liberdades individuais são o que há de mais precioso no ser humano”.

 

Com a mesma criatividade, a comunidade BDSM criou o termo “baunilha” (”vanilha”), para se referir às práticas sexuais convencionais que não envolvem nenhum componente SM (Scott, 1997, p 3).   A tríade “Sanidade, Segurança e Consensualidade” (Brame G, Brame W & Jacobs, 1993, p 49) é considerada uma norma básica das práticas não convencionais consensuais e jamais pode ser ignorada ou negligenciada. Paschoal (2002, p 22) afirma que a não existência de qualquer um dos aspectos SSC, torna toda e qualquer relação BDSM totalmente inviável.

 

Por “Consensualidade”, Moser (1996, p 31), entende o acordo voluntário firmado entre os participantes do jogo erótico, no qual os limites de cada participante são honrados. Esclarece que, não se pode chamar o abuso doméstico que ocorre entre um casal de SM, pois o SM é consensual e o abuso imposto a um parceiro não é. Podemos usar como exemplo o intercurso sexual e o estupro, onde o primeiro é consentido e o segundo é imposto sob coação. Portanto, a diferença entre o sadomasoquismo e a verdadeira violência, encontra-se no consentimento informado (”informed consent”) [Moser, 1996, p31].  A “Sanidade” refere-se à conscientização do que os participantes estão fazendo numa cena SM: trata-se de uma fantasia e que não corresponde à realidade. Certas práticas BDSM implicam em riscos consideráveis.  Nesse sentido, o conhecimento do parceiro, o estabelecimento de limites e saber os riscos inerentes a cada prática, são fatores importantíssimos para que o jogo erótico BDSM seja seguro e prazeroso. Vale dizer também, que segurança engloba também algumas proibições. Como é extremamente importante que se tenha completa consciência sobre o que se está fazendo, o uso do álcool e de qualquer tipo de droga é severamente desaconselhado antes ou durante a cena ou jogo BDSM (Paschoal, 2002, p 27). Caso algum limite físico ou psicológico seja ultrapassado, o uso da “safeword” ou “palavra de segurança” restabelece os limites da segurança física e emocional dos participantes e o jogo é imediatamente interrompido.(Paschoal, 2002, p 25).

 

 Segundo Brame, G, Brame, W & Jacobs (1993, p 358), a origem da palavra fetish vêm da palavra em português feitiço e consta que foi usada pela primeira vez por exploradores portugueses do séc. XV para descrever figuras sagradas. No seu sentido antropológico o fetiche está ligado à artefatos sagrados investidos de poderes espirituais. Para os fetichistas, o fetiche erótico é o próprio símbolo do divino, podendo excitar e mesmo induzir os seus devotos ao êxtase. Exemplos de fetiches eróticos são encontrados naqueles que admiram um par de sapatos, ao invés do pé que o veste; ou então o próprio pé é considerado extremamente excitante, em detrimento do corpo humano como um todo. Todos os seres humanos são fetichistas em algum grau. Na cultura brasileira, as nádegas são objeto de adoração nacional, enquanto na cultura americana, há uma extrema valorização dos seios. Na China, um pé feminino pequeno é extremamente sexy. Isso demonstra que diferentes culturas elegem seus próprios fetiches. Como Paschoal (2002, p 68) muito bem ilustra, “um fetiche seria uma preferência específica dentro de um universo de possibilidades…o BDSM está mais para uma fantasia repleta de fetiches. Assim como um masoquista prefere (ou tem o fetiche de) receber dor, ou ser torturado exclusivamente com cordas; ou com velas; ou com gelo; ou com todas as alternativas; ou com nenhuma delas. O sádico prefere ( ou tem o fetiche de ) causar dor. Tudo são fetiches”.

 

No tocante à realidade brasileira, a Internet tornou-se um poderoso veículo para a procura de informações e contatos de pessoas que se interessam pelas práticas eróticas sadomasoquistas e fetichistas, contribuindo largamente para a formação de uma subcultura “virtual” de minorias sexuais. O movimento BDSM brasileiro encontra-se num estágio embrionário, mas crescente, com centenas de websites (vide www.associacaobdsm.com.bre listas de discussões (www.yahoo.com.br  e www.msn.com.br), na tentativa de se formar um movimento agregador que proporcione reconhecimento, visibilidade e contatos fora da realidade “virtual”, seguindo uma tendência internacional proposta pela organização americana “The National Coalition for Sexual Freedom” (NCSF) que luta para garantir direitos iguais nas áreas legal, política e social para os adultos que estão engajados na práticas de expressões sexuais alternativas. Segundo os artigos sobre  SM  disponibilizados em seu website (www.ncsfreedom.org.), a NCSF esclarece que o Sadomasoquismo não é abuso nem violência doméstica, sendo este último “um padrão de comportamento intencional de intimidação com o objetivo de coagir ou isolar o outro parceiro sem o seu consentimento”(www.ncsfreedom.org/what.htm), opostamente ao que ocorre nas práticas BDSM, onde os parceiros envolvidos concordam sobre tudo o que vai acontecer no jogo erótico, além de serem pessoas muito bem informadas sobre as possíveis conseqüências na troca erótica do jogo de poder. Esclarece ainda que a violência doméstica pode ocorrer em qualquer grupo de pessoas, inclusive entre os que praticam SM, mas com a diferença de que dentro da comunidade sadomasoquista, a violência doméstica não é perdoada e suas vítimas e abusadores são encorajados a procurar ajuda especializada.

RESULTADOS

Tabela 1

 

Dados quantitativos da amostra pesquisada (n = 111)

%

  Sexo   Masculino

93,7

  Feminino

6,3

 

 

  Idade

  18-25

18,9

  26-35

41,4

  36-45

30,6

  46-55

8,1

 +55

0,9

 

  Orientação Sexual

  Heterossexuais

84,7

  Bissexuais

9,9

  Gays

5,4

 

  Estado Civil

  Casados

31,5

  Solteiros

52,3

  Separados/ Divorciados

16,2

 

  Escolaridade

  Nível Secundário

16,2

  Nível Universitário Completo

70,3

  Pós – Graduados

13,5

 

 

 

  Religião

  Católica

53,2

  Protestante

2,7

  Espírita

12,6

  Agnóstico

5,4

  Ateus

5,4

  Nenhuma

14,4

  Outras

6,3

 

 

  Práticas

  Dominação/ Sadismo

32,4

  Submissão/ Masoquismo

43,3

  Switchers (”role reversal”)

15,3

  Crossdressing

1,8

  Podolatria

4,5

  Outras

2,7

 

  Participação da parceria

  Sim

36,1

  Não

25,2

  Sem parceria fixa

38,7

 

 

 

Como podemos perceber na tabela 1, a grande maioria da amostra total (n =111), é composta de heterossexuais, mas cabe a observação de que apenas sete (6,3%) respondentes são do sexo feminino, sendo quatro (4) oficialmente casadas e três (3) solteiras.  O número de pessoas com parcerias que possuem e praticam as mesmas fantasias sexuais, (36,1%), foi maior do que o esperado. Interessante salientar que, nas práticas sexuais envolvendo a Submissão e o Masoquismo (43,3%), apenas seis (6), são mulheres e heterossexuais, enquanto que o restante do grupo pertence ao sexo masculino independente de orientação sexual.  A religião católica (53,2%) é a que tem o maior número de seguidores. O nível de escolaridade mostra-se elevado, sendo que 70,3% dos respondentes têm curso superior completo e 13,5% são pós-graduados.

 

CONCLUSÃO

Abaixo citaremos recortes de alguns relatos para ilustrar a parte qualitativa do estudo, onde os respondentes falam a respeito de como se sentem em relação às suas vivências sexuais e aos tópicos que foram abordados no questionário por eles respondido.

 

 -SS, pós-graduado, fetichista, 35 anos, casado: “Quando tinha aproximadamente 5 anos, lembro-me que tinha tesão em vestir camisolas de cetim, gostava de urinar nelas e sentir o cheiro da urina por vários dias…..Desde criança percebi que tinha desejos “diferentes”,  mas só fui entender de fato que esses fetiches não são uma “aberração da natureza”, há uns três anos com o advento da Internet….na net, vi, conversei e sei que tem gente com os mesmos gostos”.

 

- S, administrador de empresas, masoquista, 34 anos, casado, lembra: “Tinha uma brincadeira de policia e ladrão onde as meninas eram sempre da polícia e os meninos ladrões. As meninas corriam, pegavam e prendiam os meninos. Lembro que quando eu era preso sempre pedia para ser amarrado, pois senão fugiria, assim fui sem perceber desenvolvendo meu instinto de submissão ao sexo feminino…Uma fantasia que me marcou muito na infância e na adolescência foi a figura da  “Mulher Gato” do seriado Batman…..hoje ao rever com olhos mais experientes dá para perceber uma explicita citação fetichista. A Mulher Gato era linda, aquela roupa em látex, bem justa e colada ao corpo…sempre que capturava os heróis , eles eram amarrados e ficavam aos  pés dela …sempre era mostrado a Mulher Gato em seu esconderijo sentada em uma cadeira tipo trono em um pedestal e seus ajudantes ficavam sentados no chão aos seus pés…às vezes ela dava um jeito de pisar em um ajudante…fetiche puro”.

 

-Fbond, importador, fetichista bondagista, 31 anos, casado, lembra: “Levo o bondage e o fetichismo extremamente a sério, não sou adepto de nada que provoque dor, mas gosta da sedução aliada à bondage, cinta-liga, roupas insinuantes (mas não vulgares), sou culto….descobri que era fetichista aos 8 anos de idade assistindo um filme do Jerry Lewis e hoje tenho um acervo com mais de 150 fitas do gênero….Considero-me uma pessoa extremamente amiga, por isso acho um absurdo comparações que coloquem um fetichista na casa dos “anormais”. Talvez até haja casos assim, mas não se trata da grande maioria”.

 

-Al Z, dominador, pós-graduado em análise de sistemas, 38 anos, casado, relata: “Desde pequeno eu apreciava quando via cenas em que apareciam mulheres presas, amarradas ou surradas (normalmente em filmes), mesmo desconhecendo totalmente o sexo… acho que era instintivo…..Despertei totalmente para minhas fantasias há uns cinco ou seis anos atrás quando entrei acidentalmente num site …na época eu tinha  32 ou 33 anos e esse fato mudou totalmente a minha vida…O bondage e o spanking ( bumbum feminino), me excitam bastante e também outras formas de dominação física e psicológica, como por exemplo, transformar a parceira em uma cadelinha colocando correia e correntinha guia….Meu relacionamento com minha esposa é do tipo “padronizado”, ou seja, segundo ditam as regras religiosas e sociais para um casamento…Ela não sabe das minhas incursões no mundo virtual, nem tampouco que procuro alguém para realizar minhas fantasias no “real”. Sinto-me uma pessoa absolutamente normal….O que penso é que a sociedade é quem realmente tem medo de admitir que quem gosta de BDSM ( dentro do contexto erótico, é claro), é um ser humano normal. As pessoas buscam sempre viver cada vez com mais tesão e o BDSM é apenas mais uma forma alternativa de alcança-lo plenamente. …Nunca abri o livro da minha vida tanto assim como estou fazendo com você, mas me sinto muito bem, porque isso estava me sufocando demais”.

 

  -J, analista de sistemas, submisso, 32 anos, solteiro: “Sinto-me perfeitamente normal e até porque não  privilegiado, por saber explorar a minha sexualidade de uma forma diferenciada e muito mais intensa do que a maioria das pessoas. Fico  muito feliz por ter  capacidade suficiente em entender    o  meu fetiche e tirar proveito dele de forma sadia, segura e muito peculiar”.

 

-N, assistente administrativa, bondagista, 26 anos, solteira: “Gosto de ser amarrada e imobilizada completamente, me sentir completamente vulnerável nas mãos do meu parceiro, mas não ficar passiva e sim relutar em estar amarrada, como se estivesse sendo obrigada a estar naquela situação, não aceitar passivamente que o outro me amarre, mas  “fugir”, tentar me soltar, mas acabar sendo “vencida” pela força e técnica do meu parceiro…a privação dos sentidos como a visão e a fala….assim os mesmos ficam ainda mais aguçados, mas não saber o que a pessoa vai fazer é uma excitação sem igual… estar amordaçada é uma sensação incrível… Juntar tudo isso é uma sensação inexplicável …   Sinceramente, me sinto mais normal do que as outras pessoas, eu me sinto assumida. Acho que o que não é normal é as pessoas se podarem, ou mesmo viverem um relacionamento de aparências e procurarem fora do relacionamento a realização de suas fantasias…acredito que uma pessoa será completamente feliz quando procurar um relacionamento que lhe complete no todo… difícil, mas acho que mais difícil ainda é viver duas vidas…em uma delas você vai encenar… A sociedade em que vivemos é hipócrita… todos  têm suas fantasias, mas para se encaixar no padrão “normal”, ninguém se assume e ainda critica e se escandaliza coma opção do próximo. Acredito que cada um é dono da sua vida e não tem que dar satisfação para  ninguém do que gosta ou deixa de gostar dentro de quatro paredes, ou melhor, acho que devemos ser livres para vivenciar nossas fantasias e outras coisas cotidianas também, é claro, respeitando o limite e espaço do outro. Para mim o BDSM é uma forma de prazer, é um mundo vasto com muitas ramificações e cada pessoa escolhe dentro dessas a que lhe dá  prazer …eu escolhi a minha e não me incomoda o fato da sociedade não aceitar ou me achar uma aberração… eu me sinto mais normal que todos, pois sou sincera comigo mesma, me assumo e me aceito assim e isso me faz feliz …”.

 

- M.H, dentista, crossdresser, submissa, 39 anos, casado: “Sou casada e minha esposa participa de tudo e me domina há mais de um ano…Como você pode perceber sou uma crossdresser submissa e como tal me porto. Sou uma sissy da minha esposa. Me visto sempre que posso feminina, tenho todos os afazeres da casa e sou uma mulher para minha esposa. Sou totalmente passiva e ela é ativa ….freqüentemente apanho e sou humilhada, o que adoro…fui descobrir que o que eu sentia e fazia estava em total sintonia com o universo BDSM,  mais ou menos aos 18 anos. Mas sem saber que era uma postura BDSM, desde que me conheço por gente …aos 6 ou 7 anos de idade…Adorava brincar de casinha com meus primos e primas e sempre eu era a empregadinha, sempre trabalhando e humilhada. Este era o papel que eu escolhia. Isto me dava prazer e no meu ponto de vista encaixa no BDSM…Aos 10 anos gozei a primeira vez quando pus uma saia de uma tia…gozei sem ao menos me tocar. Desde então sempre fui fora dos padrões , mas aos 16 anos notei que era “diferente”. Seria eu gay? Mas como ser gay se não me interessava e nunca me interessei por homens? Mas se não era gay, por que me fantasiava no papel feminino?  …As pessoas infelizmente vivem num padrão proposto hipócritamente por esta sociedade machista e repressora em que vivemos.”

 

- ZZ, assistente de faturamento, podólatra submisso, 34 anos, casado: “O meu relacionamento com minha esposa é o melhor possível em todos os sentidos. Ela sabe de minha atração por pezinhos, tanto é que começou a trata-los bem melhor e de vez em quando, quando transamos, ela me dá umas boas chineladas e eu gosto muito. Desde que não prejudique física ou emocionalmente ninguém e ambos estejam de acordo, vale tudo na prática sexual entre um casal. Sobre como a sociedade vê e julga os meus atos, isso para mim não tem a mínima relevância”.

 

-  JP, advogado, sádico, 38 anos, casado: “Sinto-me um privilegiado por ter certos interesses sexuais diferentes da maioria das pessoas e sempre conseguir realizá-los. O BDSM é muito complexo, pois existem diferentes níveis de SM e me incluo em um intermediário…algumas práticas me soam indigestas, como por exemplo a coprofagia, humilhação em público, perfurações, cortes ou queimaduras, mas como diz o ditado, ” se feito com o consentimento de ambos o problema é deles…”.

 

Podemos sugerir que as pessoas que fizeram parte da amostra pesquisada, longe de representar a totalidade de indivíduos com práticas sexuais não convencionais na sociedade brasileira, sentem-se em sintonia com  suas diversas  preferências sexuais, as quais são experienciadas como prazeirosas , sentindo-se  também  privilegiadas  por  terem uma sexualidade  “diferenciada ” daqueles que vêem no sexo e nos papéis  convencionais , a única forma de expressão para o amor, intimidade e para a realização de suas fantasias sexuais. Não podemos afirmar pelos dados colhidos e relatados, que os praticantes de BDSM e Fetichismo que participaram desse estudo, possam ser chamados de “parafílicos”. Preferimos descreve-los como praticantes esclarecidos, bem informados, e conscientes daquilo que consideramos como variações na  expressão da complexa sexualidade humana adulta.

 

 É muito clara a importância do uso da Internet na formação de uma subcultura  BDSM consensual  no Brasil, não só para a comunicação, obtenção de informações entre praticantes afins, mas também como um mecanismo de inclusão social, reunindo milhares de pessoas  que compartilham das mesmas fantasias e práticas sexuais não convencionais. Esse estudo foi possível, justamente pela facilidade de acesso, anonimato e a facilidade que a Internet proporciona para todos os seus usuários. Cooper et al (2000, p 6), sustenta que a Internet oferece a oportunidade para a formação de comunidades virtuais, onde indivíduos isolados e discriminados, como por exemplo, gays e lésbicas, podem se comunicar entre si sobre assuntos sexuais que sejam de interesse dessa comunidade.

 

 Ao se darem conta do número de pessoas “iguais”, a sensação de isolamento e de ser “diferente” diminui ou desaparece e um novo sentido de “pertinência” (”belonging”) e identidade surge para aqueles que, anteriormente ao advento da Internet, sentiam-se “anormais” e “fora do padrão” por não terem com quem compartilhar e dividir seus anseios e suas fantasias devido ao preconceito e estigma em relação a tudo o que se desvia da “norma” ou “padrão”. Podemos sugerir  que a Internet pode servir como um “salva-vidas” virtual” , pois ao dar aos praticantes de BDSM, fetichismo e outras minorias sexuais, a oportunidade de “sair do armário”, proporciona um ambiente onde não há repressão, preconceito e onde tudo é possível no mundo da fantasia, dando também a oportunidade para que essas fantasias saiam da “virtualidade” e possam ser concretizadas no  mundo “real”.  Segundo Bader (2002, p 259), o porque de algumas pessoas “atuarem” ( “act out”) suas fantasias e outras não, não encontra uma resposta fácil. Ainda segundo a perspectiva teórica deste autor, é mais fácil compreender porque uma pessoa desenvolve determinada fantasia ou prática sexual, mas raramente pode-se afirmar o porquê ela “atuou” ou simplesmente a manteve a nível de fantasia .

 

 O mundo tem passado por mudanças tecnológicas quase impossíveis de serem acompanhadas na área da concepção da vida humana: o bebê de “proveta” e a inseminação artificial são práticas corriqueiras antes impossíveis de serem imaginadas e concretizadas, como o é agora, a possibilidade da clonagem de seres humanos em laboratórios. O novo assusta, provoca medos e inseguranças e sentimentos de desproteção. Mas é inegável que mudanças nas mentalidades estão a caminho nesse novo milênio. A tradição judaico-cristã que forma a base religiosa da sociedade brasileira há séculos, mostra-se anacrônica perante os fatos mencionados e pelo o que ainda está por vir. A tão propagada vida “naturalmente heterossexual” dos animais, que serviu como justificativa para o encarceramento do desejo sexual e do prazer pela instituições religiosas, começa a cair por terra com as últimas pesquisas científicas sobre a vida sexual dos animais, as quais demonstram que as “práticas contra a natureza”, são parte também da sexualidade animal ((www.subversions.com/french/pages/science/animals.html).

 

Para onde vamos, já que os conceitos e normas psico-sociais, religiosas e culturais, que definiam a noção de “normalidade” , não mais se aplicam à sociedade pluralista que se nos apresenta? A nossa  tradicional ética sexual  seguida há centenas de anos, não mais se adequai às mudanças sócio-culturais e aos novos desafios do Século XXI. Vivemos numa sociedade plural, onde começam a se tornar visíveis as mais diversas expressões da sexualidade humana adulta, as quais querem ser aceitas, reconhecidas e legitimizadas. Expressões sexuais que demonstram maturidade, respeito e consciência entre aqueles que as praticam.Cabe salientar que, por se sentirem confortáveis e em egossintonia com suas práticas sexuais, tenha sido este o motivo que tenha levado esses indivíduos a participarem desse estudo A linha que separa as práticas consensuais BDSM e as práticas sexuais   ditas “perversas” “é muito tênue. Mas é importante que se saiba distinguir umas das outras.

 

 E com base nesta distinção, o presente estudo demonstrou  que, apesar de limitado no seu alcance,  é um direito humano legítimo  ser “diferente” da maioria e conseqüentemente,  ter essa  “diferença” respeitada e aceita pelos demais.

 

 Animals prefer Homossexuality to Evolution. Retrieved  January 17, 2003, from www.subversions.com/french/pages/science/animals.html

Bader, M. J. (1997). Arousal. The Secret Logic of Sexual Fantasies. Thomas Dunne Books, pp 259-260.

 

Brame G, Brame W & Jacobs (1993). Different Loving. The World of Sexual Dominance & Submission. Villard Books, NY, pp 49, 358.

 

Ceccarelli, P.R (2000).Sexualidade e Preconceito. Artigo publicado na Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, SP, III, 3, 18-37. Retrieved October 10, 2002, from: www.ceccarelli.psc.br

Classificação Estatística Internacional Das Doenças e Problemas da Saúde (ICD-10). Retrieved    May 7, 2002, from www.desejosecreto.com.br/revisef65.html

 Cooper A et al. (2000). Cybersex. The Dark Side of the Force. Taylor& Francis, p 6.

 

Fog, A (1992). Paraphilias and Therapy. Nordisk Sexology, vol10, pp 236-242. Retrieved October 1, 2002, from www.ipce.info/ipceweb/Library/98-053r_fog_eng.htm

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 4a Edição DSM-IVtm (1995). EditoraArtes Médicas, Porto Alegre, 1995, p 495. 

Martins, Maria Cristina, Grassi, Maria Virginia F C (2001) American Women and Internet Infidelity. Abstracts Book. 15th World Congress of Sexology, June 24-28, Paris, 2001, p 149.

 

MCDougall, Joyce (1997). As Múltiplas Faces De Eros. Martins Fontes, SP, 2001, pp 186, 188, 192.

 

Moser C, Madeson JJ (1996). Bound to be Free. The Continuum Publishing Company, NY, 2000, pp 24, 25, 31, 63.

 

Paschoal H, (2002). Sem Mistério. Uma Abordagem (Na) Prática de Bondage, Dominação, Sadismo e Masoquismo. Editora Cia do Desejo, Campinas, SP, pp 14, 16, 22, 27, 68.

 

Scott, G G (1997). Erotic Power. An Exploration of Dominance and Submission. Carol Publishing Group, p3.

 

The National Coalition for Sexual Freedom. Retrieved July 24, 2002, from www.ncsfreedom.org/what.htm

www.associacaobdsm.com.br. Retrieved May 7, 2002.

www.msn.com.br. Retrieved April 02, 2002.

www.revisef65.org. Retrieved April 02, 2002.

www.subversions.com/french/pages/science/animals.html. Retrieved January 10, 2003.

www.yahoo.com.br. Retrieved April 02, 2002

 

Janeiro 26, 2009

O que é Dominar – por Tormentos Dom

Arquivado em: BDSM, Humilhação, Masoquismo, Orkut - Postagens, Sadomasoquismo — rose @ 8:14 pm

Dominar é sentir prazer em submeter o outro. Note que isso é bem diferente de ser apenas um receptor de submissão. No primeiro caso há atividade, há ação Dominadora; no segundo o dominador é apenas um objeto da necessidade de se submeter da submissa. Receber submissão, serviços, obediência qualquer um pode; Dominar não, Dominar só Dominador gosta, porque requer estratégia, requer empenho, requer inclusive capacidade de enfrentar dificuldades e assumir responsabilidades. Dominar é uma atividade Sádica, que enche, não só de conforto, mas de adrenalina o Dominador. Simplesmente possuir, ser servido, por uma submissa não faz de ninguém um Dominador. O Dominador sente prazer na sua atividade, em exercer poder e autoridade sobre a submissa, que inclui mandar, – sim mandar, termo que está meio demonizado e torna tímidos os dominadores, por quererem ser apenas o outro lado da moeda submissão, e tornam-se meros receptores dela, sem exercer nenhuma atividade dominadora – conduzir e fazer-se obedecer. Cuidar e proteger, os termos divinizados, eu não vou nem comentar porque isso não é função que caracterize Domínio, todo mundo tem que cuidar e proteger seus parceiros, apenas aquele que comanda está mais livre para tais coisas e, se tiver juízo, não deixará de fazer.

 

Como mandar, conduzir e fazer-se obedecer, varia de individuo para individuo, cada um tem seus métodos, seu jeito, e isso ainda varia de acordo com a escrava que se tenha nas mãos: com uma pode ser mais eficiente assim; com outra, assado (só não vale inverter os papeis, isto é, se submeter e achar que está dominando). Dominar é uma atividade dinâmica, não estática, mas eu diria que algumas características básicas num Dominador são: postura pessoal, capacidade de enxergar um pouco além das aparências e a capacidade de compreender a perversão chamada submissão.

 

Uma mulher comum sente tesão diante das carícias padronizadas, diante das palavras padronizadas de apreço, diante da visão padronizada de beleza e virilidade, diante do odor certo, agradável, e fica predisposta ao coito. Da mesma forma a mulher que tenha a perversão da submissão vai sentir diante da voz de comando, diante da postura Dominadora, diante da condução sem medo, que lhe inspire superioridade, poder; diante as vezes da aparente tirania e injustiça daquele que detém o poder, diante da sensação de estar submetida às vontades de outrem. Ela vai se sentir esmaecer, derreter, as entranhas se revirarem dentro do ventre, e vai ficar predisposta a servir, a obedecer, mesmo que não seja praticando o ato sexual. O que ela tiver que fazer lhe dará um prazer muito próximo do ato sexual na mulher comum. Há uma substituição. Pouco importa se é fazer um “ball cat”, sexo, preparar um jantar, andar de quatro e tomar água na tigela de cadela, suportar um spanking, ou etc. O que importa para ela é confirmar o poder do outro e a falta deste, para ela inconveniente sentimento, em si mesma, e por isso, as vezes vai às ultimas conseqüências, se levada. Porque esta sensação, paradoxalmente, lhe é agradável, tem alguma comunicação com seu íntimo, que, como o tesão simples da mulher comum a predispõe indefesa e passiva para o coito com macho no momento X, a predispõe à obediência, à sujeição ao comando, como se fosse isto algum tipo de cópula, de ato sexual.

 

(Já sei, aí vem a baunilha e diz: não é nada disso, eu sou submissa e não sinto nada disso, para mim, o Dom tem que ser gentil, me tratar com carinho e fazer sexo. (…rss.) Ta bom, submissa, és uma perversa, todas as mulheres do mundo são conquistadas assim, sentem tesão assim).

 

É claro que a intensidade de tudo isso varia em cada indivíduo. E é claro também que dar prazer, alegrias e satisfação a pessoa amada, a um filho, a um ente querido, todo mundo gosta sem que isso signifique a perversão da submissão. Isso é natural e se é natural não há perversão. (gostei muito do pulo de asa delta de uma escada três metros de altura do Wysiwyg…rss..)

 

O Dominador mesmo sabe o que é submissão, sabe inclusive que quando ele deixar de exercer sua atividade Dominadora, não dará mais prazer a uma submissa genuína. Submissa genuína é aquela que dá ao Dominador a liberdade de ser quem ele é, de exercer sua atividade, manifestar sua personalidade Dominadora plenamente, sem medos. Ele sabe que é seu Domínio, sua atividade Dominadora que a atrai e dá prazer. Ele compreende como. Observador, ele não come sempre pelas mãos da submissa, não bebe só de sua boca, antes observa sua respiração, o ouriçar de seus poros, sua fisionomia de sofreguidão mal disfarçada, seu olhar, o tremor de sua voz. E opera considerando tudo isso, para seu prazer e o dela, mas o dela é conseqüência de sua atividade, de sua liberdade, dos seus mandos, de sua condução, do seu jeito de se fazer obedecer. Finalizando, sem a pretensão de ter esgotado o assunto, Dominar dá trabalho e não se resume a ficar na voz passiva: ser servido, ser obedecido, ter suas pequenas vontades satisfeitas. Vontades estas que muitas vezes se limitam ao que a escrava tem desejo fazer. Ou seja, ele não passa de um receptor da submissão dela, mas não é um Dominador, porque Dominar é uma ATIVIDADE própria, que ele não exerce.

 

Bem, esta é a forma como entendo Domínio e submissão. Ação Dominadora e reação submissa; não ação submissa e o nada do outro lado.

 

Desculpe o texto longo.

 

Retirado de:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=7964648&tid=2541144620043492866&na=4&nst=-3&nid=7964648-2541144620043492866-2541527935137242626

Janeiro 20, 2009

O que é normal? (na visão dos “normais”)

Arquivado em: BDSM, Masoquismo, Pensadores, Sadomasoquismo — rose @ 12:32 pm

Está nas bancas de todo o país a quarta edição da coleção “Sexos: A Trama da Vida”, edição especial da revista Mente & Cérebro, da Duetto Editorial, que mostra a sexualidade em seus aspectos mais delicados. As perversões, o fetichismo, o sadomasoquismo, as formas de exploração e abuso sexual, além da diferença entre pornografia e erotismo, e os limites éticos entre as fantasias e suas execuções são assuntos do volume 4, Fronteiras da Transgressão.

De acordo com a editora da coleção, Graziela Costa Pinto, a revista apresenta uma questão que diz respeito a toda a sociedade. “É um conjunto de temas que envolvem não só o sujeito do desejo, mas o cidadão; reacende a polêmica em torno da ética versus moral e das formas de veiculação de discursos sobre a sexualidade”, afirma.

Em uma pespectiva interdisciplinar, especialistas brasileiros e estrangeiros das mais diversas áreas, como psicologia, psicanálise, antropologia, neurociências, entre muitas outras, discutem comportamentos, disfunções, questões de identidade e de gênero, orientações sexuais e neossexualidades. E também refletem sobre as diversas formas de exploração sexual e as novas modalidades de prazer, apoiadas na tecnologia e na ciência.

Pesquisas de ponta dividem a cena com estudos clássicos e configuram uma obra de referência fundamental para leigos e profissionais interessados nos enigmáticos caminhos do desejo.

Pedofilia

Um dos temas mais controversos trazidos pela edição é a pedofilia. No artigo Infância roubada, Jane Felipe, psicóloga e coordenadora do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que “os números de acesso à pornografia infantil na internet são assustadores. Só no primeiro semestre de 2008, foram feitas 27,8 mil denúncias”.

Além de questionar os motivos que levam um adulto a sentir atração por crianças, a educadora propõe uma reflexão sobre “as contradições de nossa cultura, que legitima o erotismo infanto-juvenil”. Jane Felipe também compõe um quadro da pedofilia no Brasil, onde a violência sexual contra a criança se tornou preocupação efetiva somente em 1988, com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Mesmo assim, estima-se que cerca de 100 mil crianças sejam exploradas e apenas 60 mil agressores denunciados.

Prostituição

Paulo Roberto Ceccarelli, psicanalista, professor da PUC-MG e doutor em psicopatologia fundamental e psicanálise pela Universidade de Paris VII, levanta o debate sobre a prostituição. “Erradicá-la ou descriminalizá-la vai além de questões subjetivas: envolve interesses de mercado e estratégias de dominação”, comenta no artigo Corpo como mercadoria.

Para o psicanalista, a mesma sociedade que determina sanções à prostituição em nome da moralidade também cria subterfúgios para mantê-la conforme a necessidade. Ceccarelli comenta sobre a prostituição infantil no Brasil, que segundo ele chega a envolver 500 mil meninas, e o tráfico internacional de mulheres brasileiras, envolvendo cerca de 70 mil mulheres entre 18 e 21 anos.

“Refletir sobre a prostituição é aprofundar o debate sobre as relações entre homens e mulheres, o que não pode ser feito sem levar em conta as questões ligadas à posição subjetiva da mulher na sociedade, em particular da prostituta”, conclui.

O fascículo discute, ainda, a questão da masturbação, o sexo na literatura, no cinema e nas histórias em quadrinhos, a indústria pornográfica, entre outros temas. A coleção Sexos: A Trama da Vida está à venda em bancas de jornal e também pelo site www.lojaduetto.com.br, ao preço de R$ 14,90 por exemplar.

Sumário da Edição número 4:

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NEO-SEXUALIDADES
A poesia dissonante de Eros

Fantasias arcaicas na vida adulta quebram os limites entre o “eu” e o “outro” e levam o indivíduo a buscar soluções sexuais extremas
Por Fernanda A. Toddel Cembranelli

PERVERSÃO
Gozo da onipotência

Enredos sexuais estereotipados, encenados de modo onipotente, compulsivo e sem vínculo, são a saída do perverso para negar a ameaça de castração.
Por Flávio Carvalho Ferraz

SADOMASOQUISMO
Liturgia da dor

Prazer na dor infligida ou submetida é perversão para a ciência; adeptos de tais práticas lutam contra esse rótulo, sob a alegação de sexo consensual e seguro Por Jorge Leita Jr.

FETICHISMO
Prazeres pontuais

Atração erótica por partes do corpo ou objetos inanimados, como pés ou sapatos, levanta questão sobre as fronteiras entre o normal e o patológico
Por Olaf G. Schmidt

PEDOFILIA
Infância roubada

Além da natureza do impulso que leva um adulto a sentir atração por crianças, cabe refletir sobre a legitimação da erótica infanto-juvenil na cultura

PORNOGRAFIA
A folia do sexo

Polêmico gênero de entretenimento adulto ligado às massas a pornografia se desenvolveu à sombra dos discursos sobre o sexo
Por Jorge Leite Jr.

PROSTITUIÇÃO
Corpo como mercadoria

Profissão reconhecida na Grécia antiga e condenável pela moral judaico-cristã, a prostituição ajudou a moldar a noção ocidental de sexualidade
Por Paulo Roberto Ceccarelli

MASTURBAÇÃO
Entre quatro paredes

Pecado, doença ou expressão da sexualidade infantil, hoje o tema “masturbação” volta à cena em função do sexo virtual e da pornografia na internet
Por Sérgio Telles

SEXO EM CENA: LITERATURA
A escrita em excesso

A erótica literária do Ocidente é pautada por paixões desmedidas e reflexões vertiginosas, em que o desejo se apresenta ampliado ou distorcido
Por Eliane Robert Moraes

SEXO EM CENA: QUADRINHOS
Divas libertinas

Ousados ilustradores transformam damas da alta sociedade ou mulheres comuns em heróinas ou vilãs, a protagonizar uma revolução sexual sem tamanho
Por Reynaldo Damazio

SEXO EM CENA: CINEMA
Enquadramento do desejo
Em geral, a abordagem da fantasia difere no cinema erótico e pornô, mas filmes recentes têm feito convergir sexo explicíto e discurso em um mesmo objeto
Por Juliana Cunha

Janeiro 15, 2009

Minha Alma por {Amar Yasmine}_DEXPEX

Arquivado em: BDSM, Entrega, Masoquismo, Poesia, Sadomasoquismo — rose @ 6:50 pm

presente

Minha Alma

“Eu amo minha alma despojada
Minha alma doce e generosa
Que espera.. espera.. espera..
Minha alma que espera quieta
Subserviente e nua
Eu amo esta minha alma
Que de tão devassa e suja se torna pura…”

{Amar Yasmine}_DEXPEX

“A cadela é a única submissa que não precisa de um projeto de vida para amar o DONO, nenhuma promessa. Ela apenas se entrega a Ele, inteiramente, sem jamais questionar”.

{Amar Yasmine}_DEXPEX

Janeiro 11, 2009

How Can I Go On

Arquivado em: Experiência Pessoal — rose @ 3:16 pm

How Can I Go On (tradução)
Freddie Mercury

Como Posso Continuar

Como posso continuar
Como posso continuar
Desta maneira

Enquanto todo o sal
é retirado do mar
Eu permaneço destronado
Eu estou nu e sangrando

E quando você apontar-me seu dedo
tão selvagemente
E não houver ninguém para acreditar em mim
Para ouvir meu apelo e cuidar de mim?

Como posso continuar a partir de hoje?
Quem pode me fortalecer em todos os caminhos?
Onde posso estar seguro?
Onde posso permanecer?
Neste imenso mundo de tristeza

Como posso esquecer?
Aqueles lindos sonhos
Que compartilhamos
Eles estão perdidos e não há como encontrá-los!
Como posso ir em frente?

Algumas vezes eu tremo!
na escuridão
Eu não consigo ver
Quando as pessoas me assustam

Eu tento esconder-me
Bem longe da multidão
E não há ninguém lá
Para me confortar

Senhor Ouve meu apelo
E cuida de mim

Como posso continuar?
a partir de hoje?
Quem pode me fortalecer
(ao longo de)em todos os caminhos?

Onde posso estar seguro?
Onde posso permanecer?
Neste imenso mundo de tristeza
Como posso esquecer?

Aqueles lindos sonhos
Que compartilhamos
Eles estão perdidos e não há como encontrá-los!
Como posso ir em frente?

Como posso continuar
Como posso continuar
Como posso continuar

Dezembro 18, 2008

Arquivado em: BDSM, Entrega, Humilhação, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 5:34 pm

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Descubro a fome que desde sempre quis que me habitasse, que desde sempre esperei tomar meu corpo e o seu de dentro, uma fome que encontra saciedade e mais de si porque saciada, uma fome que se extingue e renasce porque pôde ser extinta. Gozo em mim a fome e gozo mais seu aplacar, porque a possibilidade de ser aplacada a define como a fome pela qual eu esperei por tanto tempo faminta daquilo que não se fazia, daquilo que de tão raso, era o suposto inalcançável, daquilo que de tão incompleto, parecia a suposta completude. Tenho enfim a fome que finda e que em si se refunda, não para me por a procurar além, mas para encontrar-me em mim. Bendita seja esta fome saciada-a-saciar que me apascenta e liberta, que me enaltece e amplia. Encontro enfim a fome de mim mesma, desta de mim mesma que pude vir me fazendo, que tenho sido, que descobri comigo desde que me descobri Tua.

 

 

(foto “roubada” do blog de Amar Yasmine _{DEXPEX})

 

Dezembro 1, 2008

Vem você e me trata tão bem… Estraga tudo!

Arquivado em: Humilhação, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 7:14 pm
esperando
Eu olho pra sua tatuagem e pro tamanho do seu braço e pros calos da sua mão e acho que vai dar tudo certo. Me encho de esperança e nada. Vem você e me trata tão bem. Estraga tudo.Mania de ser bom moço, coisa chata.
Eu nunca mais quero ouvir que você só tem olhos pra mim, ok? E nem o quanto você é bom filho. Muito menos o quanto você ama crianças. E trate de parar com essa mania horrível de largar seus amigos quando eu ligo. Colabora, pô. Tá tão fácil me ganhar, basta fazer tudo pra me perder.
E lá vem ele dizer que meu cabelo sujo tem cheiro bom. E que já que eu não liguei e não atendi, ele foi dormir. E que segurar minha mão já basta. E que ele quer conhecer minha mãe. E que viajar sem mim é um final de semana nulo. E que tudo bem se eu só quiser ficar lendo e não abrir a boca.
Com tanto potencial pra acabar com a minha vida, sabe o que ele quer? Me fazer feliz. Olha que desgraça. O moço quer me fazer feliz. E acabar com a maravilhosa sensação de ser miserável. E tirar de mim a única coisa que sei fazer direito nessa vida que é sofrer. Anos de aprimoramento e ele quer mudar todo o esquema. O moço quer me fazer feliz. Veja se pode.
Não dá, assim não dá. Deveria ter cadeia pra esse tipo de elemento daninho. Pior é que vicia. Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar. Dei de achar que mereço ser amada. Veja se pode. Anos nos servindo de capacho, feliz da vida, e aí chega um desavisado com a coxa mais incrível do país e muda tudo. Até assoviando eu tô agora. Que desgraça.
Ontem quase, quase, quase ele me tratou mal. Foi por muito pouco. Eu senti que a coisa tava vindo. Cruzei os dedos. Cheguei a implorar ao acaso. Vai, meu filho. Só um pouquinho. Me xinga, vai. Me dá uma apertada mais forte no braço. Fala de outra mulher. Atende algum amigo retardado bem na hora que eu tava falando dos meus medos. Manda eu calar a boca. Sei lá. Faz alguma coisa homem!
E era piada. Era piadinha. Ele fez que tava bravo. E acabou. Já veio com o papo chato de que me ama e começou a melação de novo. Eita homem pra me beijar. Coisa chata.
Minha mãe deveria me prender em casa, me proteger, sei lá. Onde já se viu andar com um homem desses. O homem me busca todas as vezes, me espera na porta, abre a porta do carro. Isso quando não me suspende no ar e fala 456 elogios em menos de cinco segundos. Pra piorar, ele ainda tem o pior dos defeitos da humanidade: ele esqueceu a ex namorada. Depois de trinta anos me relacionando só com homens obcecados por amores antigos, agora me aparece um obcecado por mim que nem lembra direito o nome da ex. Fala se tão de sacanagem comigo ou não? Como é que eu vou sofrer numa situação dessas? Como? Me diz?
Durmo que é uma maravilha. A pele está incrível. A fome voltou. A vida tá de uma chatice ímpar. Alguém pode, por favor, me ajudar? Existe terapia pra tentar ser infeliz? Outro dia até me belisquei pra sofrer um pouquinho. Mas o desgraçado correu pra assoprar e dar beijinho.
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Novembro 24, 2008

Submissas Masoquistas ou Submissas e Masoquistas?

Arquivado em: BDSM, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 6:51 pm

anke_merzbach_8Sempre leio textos interessantes na internet sobre sadomasoquismo. Com alguns me identifico muito, com outros não. Então, podemos pensar que se há textos, pensamentos com os quais nos identificamos dentro do sadomasoquismo e outros com os quais não nos identificamos, talvez seja porque dentro disso que chamamos BDSM ou mais especificamente SM, não haja ainda nenhum conceito que detenha o status de *paradigma.

 

 

Vejo BDSM como um campo possuidor de inúmeros conceitos e todos eles abertos a discussões. Como já disse acima, penso que não haja um paradigma bem estabelecido no BDSM. As pessoas que agem de acordo com os axiomas de um paradigma estão unidas, identificadas ou simplesmente em consenso sobre uma maneira de entender, de perceber, de agir, a respeito do mundo.

 

 

Os que partilham de um determinado paradigma aceitam a descrição de mundo que lhes é oferecida sem criticar os fundamentos íntimos de tal descrição. Isto significa que o olhar deles está estruturado de maneira a perceber só uma determinada constelação de fatos e relações entre esses fatos. Qualquer coisa que não seja coerente com tal descrição passa desapercebida; é vista como elemento marginal ou sem importância.

 

 

 

Desta forma, observamos todos os dias uma miríade de discussões acerca dos mais variados conceitos do BDSM. Desde aqueles conceitos fulcrais como os de: SSC, liturgia, dominação, submissão, sadismo, masoquismo até àqueles que muitas vezes eu me pergunto se existem mesmo ou se foram apenas cunhados por um grupo com objetivos que desconheço, como os conceito de submissa de alma e dominação psicológica.

 

 

 

Dentro dessa perspectiva, textos como o que li no site do Sr Verdugo: Masoquistas más e submissas masoquistas”, e que foi amplamente utilizado no passado recente em várias comunidades do Orkut como base para debates muito interessantes, demonstram essa liberdade conceitual, essa impossibilidade paradigmática no BDSM.

 

 

 

Deixo o texto na íntegra mais abaixo para que os que aqui caem possam lê-lo e tirar suas próprias conclusões. Destaco apenas alguns momentos no texto que me parecem muito significativos para a discussão de conceitos:

 

 

 

“[...] a dor física não é necessária para que o indivíduo seja classificado como masoquista. O sofrimento moral é entendido como tal.” [...] “Muitas vezes, uma “submissa masoquista” não precisa da dor; a submissão, a servidão, o adestramento, a restrição de movimentos, a obediência incondicional, o desejo de ultrapassar limites psicológicos, a humilhação e punição verbalizada são perfeitamente suficientes para a satisfação do desejo de ambos.” (grifo meu). Quando Sr Verdugo afirma que a submissa não precisa da dor, ele se refere, creio eu, à dor física. Contudo, submissas, dentro de meu conceito de submissão, necessitam da dor visto que a dor moral, a dor da restrição, a dor de estar no chão aos pés de um Senhor, a dor da humilhação, a dor psicológica dói tanto quanto a dor física e, por este motivo, submissão para mim é um tipo de masoquismo, como já expressei em outra oportunidade nesta postagem aqui. Penso eu que nem todas as ‘masoquistas más’, me utilizando do termo cunhado por Sr Verdugo, são capazes de suportar as dores morais que as ‘submissas masoquistas’ são e sentir os prazeres que as que se enquadram nesse grupo sentem.

 

 

 

Sobre o segundo grupo de pessoas:

 

 

 

“”masoquistas más”. São masoquistas que não buscam a submissão ou sentem-se atraídas por ela, vivem e buscam o prazer na dor, e não raro, são extremamente competitivas entre si.” Isso é definidor, as ‘masoquistas más’ sentem efetivamente muito prazer na dor física [...] “Essa conduta predatória faz com que se sintam superiores ao grupo “submissas masoquistas”, crêem que pelo fato de serem supostamente indomáveis e por acreditarem que sua capacidade intelectual esta acima daqueles que atravessaram seu caminho, se vêem no topo da hierarquia.” Não sei se concordo com essa afirmação. Acredito que há um grupo de ‘masoquistas más’ que ‘se acham a última coca cola do deserto’ mesmo e que fazem muito marketing pessoal, exaltando essas características acima descritas, como aquilo que possuem de interessante para oferecer. Mas as ‘submissas masoquistas’ também são rainhas de marketing pessoal, comendo por outras beiradas obviamente.

 

 

 

“A submissão para elas a meu ver, só é efetivada de fato, quando é reconhecida uma dominação que siga por outras vias que não as do jogo convencional. Fica perceptível que a submissão ocorre pelo lado emocional, somente com um envolvimento afetivo haverá controle sobre esse comportamento passional.” Submissão por amor ou quaisquer outros laços afetivos para mim, é um grande sinônimo de problema. No texto esse é o ponto que me incomoda. Acredito que as práticas e atitudes submissas ou masoquistas devem ser feitas, estabelecidas, tomadas por sentirmos de fato dentro de nós mesmos, tesão em agir daquela forma. Uma mulher que se submete por afeto, é uma séria candidata a jogar futuramente na cara do Dono, quando a relação ruir, que ela fez o que fez somente porque amava, se estabelecerá então uma situação de cobranças. Submissão que tem por base o amor e não o tesão efetivo, se constitui numa perigosa relação de barganha afetiva.

 

 

 

“Isso explica em termos, o motivo de muitas “masoquistas más” não admitirem ser comparadas com “submissas masoquistas”. É uma diferença sensível de atitude, mas por absoluta falta de modelos classificatórios no contexto masoquista, vemos esse desconforto de um grupo em relação ao outro, onde essas diferenças são vistas como uma competição ou forma de se ter um status diferenciado no meio.” Isso é real para os dois lados e como bem diz o autor do texto, não há um grupo melhor ou pior, o que há são desejos e necessidades diferenciadas. Eu submissa (e agora me coloco como sujeito no texto) também não gosto de ser comparadas às masoquistas, embora eu submissa me saiba masoquista afinal eu gosto de humilhação. E nem é pouca… e nem é leve… é pesada, é daquelas que tem a capacidade destrutiva da pessoa humana, seria perigoso praticar isso no grau que meu tesão almeja. Eu gosto de tortura psicológica. E eu sei como isso dói e destrói.

 

 

 

Ao contrário da ‘masoquista má’ descrita pelo Sr Verdugo que adora ser vista como fêmea alpha super forte… eu, embora seja uma mulher forte, tenho tara por ser fraca. Eu quero muito ser fraca, mas não é fragilzinha não, é débil mental de tão fraca, estúpida de tão fraca (tentando não perder de vista a postura, docilidade e serenidade). Porque quanto mais fraca eu for, quanto mais eu conseguir despir meu próprio eu e soltar meus bichos todos, mais eu vou doar poder pro Dom, o poder de me destruir. E eu quero que ele destrua. Aí que está o lance, eu quero que ele me detone, me pulverize com gestos, palavras, atos concretos ou insinuados, eu quero sentir essa dor lancinante, veja, não é apenas a de ser destruída de fora pra dentro, é a de ser implodida. E, à medida que ele fizer isso, eu fico cada vez mais atada à ele. Um círculo vicioso que me leva a adorá-lo. Como explicar? O sentimento de entrega submisso/masoquista e os sentimentos afetivos aumentam, proporcionalmente, ao ato dele inflingir a dor em mim. Quanto mais ele fizer isso em mim, mais eu vou querer ser desesperadamente dele e pra isso só me colocando  de modo a ser fraca perante ele. Não me submeto por amor, mas sou levada a amar por me submeter.

 

 

 

 

* a palavra paradigma nesse texto possui o sentido expresso por Thomas Kuhn: “um paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma”, p. 219 e “os paradigmas da comunidade, revelados nos seus manuais, conferências e exercícios de laboratórios”, p. 68

 

 

* *  entre ser masoquista ou submissa o que eu sou? Eu sou escrava.

 

barbara_taurua_onexposure

 Masoquistas más e submissas masoquistas – por Senhor Verdugo

 

“Observando daqui tantas discussões sobre as tais diferenças entre masoquistas e submissas, resolvi escrever como vejo isso, sob o ponto de vista de um mero observador.

 

Quando foi cunhado o termo médico “masoquismo”, baseado na literatura de Masoch, especificamente na obra “VÊNUS DAS PELES”, usou-se o exemplo de uma personagem cujo prazer era derivado da dor. Esse termo usado até os dias de hoje classifica um tipo de comportamento de forma generalizada.

Os tempos mudaram e os relacionamentos também, hoje temos a possibilidade de viver socialmente um mundo sadomasoquista (onde sadismo e masoquismo são substituídos por uma forma erotizada de prazer denominada sadomasoquismo) em comunidades BDSM. Tanto as pessoas quanto os prazeres se multiplicaram, vertentes de todas as formas estão aflorando e peculiaridades que antes não eram tão importantes começam a soar como notas dissonantes. Falo especificamente da natureza masoquista, que dentro de um grupo social começa a permitir tipos de classificação diferentes, pois falamos de fantasias e comportamentos que dependem de seus pares para se consumar e não havendo uma leitura correta, muitos relacionamentos não frutificarão por não haver entendimento da dinâmica e necessidade do outro.

Para ficar mais claro, vejamos o que diz o dicionário Aurélio sobre masoquismo:

[Do fr. masochisme < antr. (Leopold Sacher-) Masoch (1836-1895), romancista austríaco, + fr. -isme (v. -ismo).]

S. m. 1. Perversão sexual em que a pessoa só tem prazer ao ser maltratada física ou moralmente; algolagnia passiva:

2. P. ext. Prazer que se sente com o próprio sofrimento.

 

E agora a definição do Houaiss:

substantivo masculino

1 Rubrica: psicopatologia.

perversão caracterizada pela obtenção de prazer sexual a partir de sofrimento ou humilhação a que o próprio indivíduo se submete; algolagnia passiva [O termo deriva de cenas descritas em livros de Leopold von Sacher-Masoch.]

2 Derivação: por extensão de sentido.

atitude de uma pessoa que busca o sofrimento, a humilhação, ou que neles se compraz
Obs.: cf. sadismo, sadomasoquismo

Pelas definições acima, dificilmente uma submissa não se encaixará nesses perfis. Fica evidente que a dor física não é necessária para que o indiíiduo seja classificado como masoquista. O sofrimento moral é entendido como tal.

Entretanto, o termo masoquismo para praticantes do BDSM ficou muito abrangente e pouco elucidativo. Ele já não identifica com clareza determinados tipos de comportamentos específicos em nosso meio.

Despretensiosamente, faço eu uma separação de masoquistas baseada em minha experiência e observação no universo sadomasoquista e ao mesmo tempo evitando qualquer rótulo clássico ou jocoso. O propósito é lançar um olhar diferenciado sobre esse comportamento. Como o usual conceito “submissa” e “masoquista” não faz justiça às “submissas”, pois elas também são de fato masoquistas e não distingue as atuais “masoquistas” cujo comportamento é dessemelhante, classifico um grupo de “submissas masoquistas” e o outro de “masoquistas más”.

Defino como “submissas masoquistas” aquelas cuja submissão é inerente à sua natureza, mas que também encontram prazer na dor ou humilhação. Seja por vontade do DONO ou pelo prazer contido nesse ato. Caracterizam-se pela servidão voluntária, pelo desejo em ver o prazer do Outro realizado.

Existem também aquelas que não são submissas em tempo integral, fora da cena tem uma atitude social/profissional dominante e o que ocorre de fato, é a transferência de poder no momento do desejo. Essa posição de inferioridade momentânea lhes dá prazer, mas não significa que tenham baixa alto-estima, isso é fruto da fantasia, uma opção de submissão, uma submissão consentida.

Muitas vezes, uma “submissa masoquista” não precisa da dor; a submissão, a servidão, o adestramento, a restrição de movimentos, a obediência incondicional, o desejo de ultrapassar limites psicológicos, a humilhação e punição verbalizada são perfeitamente suficientes para a satisfação do desejo de ambos.

Pelas características e expectativas, esse grupo é o que mais se identifica com o relacionamento D/s (Dominação/submissão) que normalmente tem em suas práticas uma carga litúrgica mais intensa.

O outro grupo vejo numa escala menor e defino como “masoquistas más”. São masoquistas que não buscam a submissão ou sentem-se atraídas por ela, vivem e buscam o prazer na dor, e não raro, são extremamente competitivas entre si.

Para essas pessoas, a submissão tem de ser imposta numa proporção maior que sua rebeldia. Isso não significa que a agressão direta ou gratuita irá seduzi-las. Não costumam se intimidar com títulos ou hierarquias. O jogo se dá em outro plano e é uma guerra pelo poder, comparável a uma alcatéia, onde só pode haver um lobo Alpha. É um jogo essencialmente psicológico e intenso onde elas precisam reconhecer no oponente a superioridade para que haja o respeito. Não as atraí o jogo D/s (Dominação/submissão) e por conta disso vive-se uma disputa interminável pela obtenção do poder.

 

Curiosamente, aqui manifesta-se o lado sádico delas, cujo objetivo é reverter o jogo e colocar o Dominante como dominado. A ironia é que a obtenção desse poder não satisfaz, pelo contrário, frustra e reforça seu comportamento recorrente em busca de uma nova vítima. Partem então para sua nova caçada após terem abatido e desmoralizado a sua presa.

 

Essa conduta predatória faz com que se sintam superiores ao grupo “submissas masoquistas”, crêem que pelo fato de serem supostamente indomáveis e por acreditarem que sua capacidade intelectual esta acima daqueles que atravessaram seu caminho, se vêem no topo da hierarquia.

 

Geralmente encaram acordos ou limites como fraquezas. A submissão para elas a meu ver, só é efetivada de fato, quando é reconhecida uma dominação que siga por outras vias que não as do jogo convencional. Fica perceptível que a submissão ocorre pelo lado emocional, somente com um envolvimento afetivo haverá controle sobre esse comportamento passional.

 

Isso não as tornará submissas, apenas fará com que tenham uma atitude submissa que deixará de existir no momento em que o poder do outro for posto em xeque.

 

Dificilmente as “masoquistas más” se darão bem numa relação essencialmente D/s que vai totalmente contra sua natureza, natureza essa que encontra seu correspondente instintivo no sadismo inato percebido no Outro. Essa percepção muitas vezes se dá pela linguagem corporal.

É freqüente vermos “masoquistas más” terem atitudes públicas desafiadoras com Dominadores objetivando constrangê-los ou desqualificá-los. Isso faz parte de sua natureza impulsiva e essa reação é potencializada quando há por parte do outro a equivocada tentativa de submetê-la pela humilhação ou manipulação. “Masoquistas más” costumam partir para o enfrentamento quando percebem algum tipo de fragilidade, artificialidade ou representação na figura dominante.

Isso explica em termos, o motivo de muitas “masoquistas más” não admitirem ser comparadas com “submissas masoquistas”. É uma diferença sensível de atitude, mas por absoluta falta de modelos classificatórios no contexto masoquista, vemos esse desconforto de um grupo em relação ao outro, onde essas diferenças são vistas como uma competição ou forma de se ter um status diferenciado no meio.

 

Essas diferenças não tornam um grupo melhor ou pior, mas havendo essa percepção, os critérios de escolha podem ser mais precisos na formação dos pares minimizando muitos desacertos sobre entendimentos dos papéis de cada um.

Esta minha presunçosa análise superficial focou apenas alguns comportamentos que mais me interessaram após observar muitas questões e discussões sobre como são vistas as diferenças e as mal-entendidas definições do universo BDSMista entre “submissas” e “masoquistas”.”

 

SENHOR VERDUGO

Outubro 28, 2008

100 mil acessos – retrospectiva

Arquivado em: Amizade, BDSM, Experiência Pessoal, Masoquismo, Sadomasoquismo — rose @ 4:40 pm

Estatísticas do Site (passando a bolinha para vocês).

Todo blog do wordpress possui um contador que auxilia para que nós, blogueiros, não nos sintamos sós no blogosfera, mesmo que nunca hajam comentários aos nossos posts :)

Hoje este blog completa 100 mil acessos.

Dia 12 de setembro foi aniversário de um ano do blog – ele é virginiano, como eu. Antes dele existir, eu escrevi em ou outro local, no blogspot, depois de um tempo no blogspot compreendi que exposição de vida íntima não faz bem para cadelas como eu e decidi que continuaria a escrever lá, porque gosto, porque me faz bem, porque as vezes eu apenas preciso fazer isso, mas que ninguém mais leria. Fechei a sete chaves o blog no blogspot e abri esse aqui, mais impessoal (embora nada seja neutro aqui).

Gosto dos meus blogs (eu atualmente possuo 3, este público com teor SM, um privativo no blogspot e um outro público no multiply com teor baunilha hahahaha). A postagem de hoje com esse título “100 mil acessos – retrospectiva – é pra agradecer aos desgovernados que vêm aqui ler, de um modo muito singelo, dentro da perspectiva da internet: fazendo propaganda do link deles.

Então é isso: deixo aqui para vcs os links mais acessados tanto de busca como de chegada, visitem esses sites, esses blogs, leiam essas pessoas, tentem senti-las e compreendê-las, se coloquem no lugar delas, reflitam com os sentimentos e pensamentos dessas pessoas.

Agradeço a estes que por identificação ou simples propaganda  um dia me linkaram em seus blogs e sites fazendo com que dessa forma, o meu cantinho aqui seja menos solitário.

Bjo e voltem sempre :)

rose

 

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Sonhos ou Pesadelos – 2 24 Mais estatisticas
Renda-se ao Não 22 Mais estatisticas
La Vie en Rose 22 Mais estatisticas
Sangrando 21 Mais estatisticas
Hoje, sem BDSM 21 Mais estatisticas
Tesouros 20 Mais estatisticas
Em silêncio 20 Mais estatisticas
Oh, speak, Lord… speak to me 19 Mais estatisticas
Sonho – 23.01.2007 17 Mais estatisticas
Sob seus pés 16 Mais estatisticas
Quantas mordidas… 16 Mais estatisticas
Tente, invente! 15 Mais estatisticas
Tesão 15 Mais estatisticas
Momento de Reflexão 13 Mais estatisticas
Branding in Love 13 Mais estatisticas
Sonho – 05.02.2007 13 Mais estatisticas
Pois é, tem de procurar com lente de au 13 Mais estatisticas
Isto é heavy ;) 13 Mais estatisticas
Mil palavras 12 Mais estatisticas
Sing 12 Mais estatisticas
Lascas 11 Mais estatisticas
10 Mais estatisticas
Hoje não tem SM 10 Mais estatisticas
O Mais é Nada 8 Mais estatisticas
Bondage, sem pena… 8 Mais estatisticas
Barata submissa *risos* 6 Mais estatisticas
Para Rir 6 Mais estatisticas
Linda… 5 Mais estatisticas
Águas de Março 5 Mais estatisticas
Hoje cometi um post rs 4 Mais estatisticas
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Ah… música… 4 Mais estatisticas
Simples Assim. 1 Mais estatisticas
Silence

 

Para onde vai quem vem ao meu blog? Onde as pessoas clicam? Abaixo os links mais populares (Torturador Cruel, Hardlove, Dom Tormentos e o site Desejo Secreto nas cabeças!) e seus respectivos números de acesso no último ano.

URL Cliques
lamansardadimiele.org/menu.htm 1.013 Mais estatisticas
torturascrueis.blogspot.com 723 Mais estatisticas
prazeredor.blogspot.com 610 Mais estatisticas
br.geocities.com/domtormentos 499 Mais estatisticas
desejosecreto.com.br 487 Mais estatisticas
lamansardadimiele.org/Manara.htm 384 Mais estatisticas
submissadead.blogspot.com 380 Mais estatisticas
bdsmtoolbar.000webhost.com/bdsminfo 376 Mais estatisticas
submissivewomenspeak.net 354 Mais estatisticas
escravasubmissadogwoman.blogspot.com 318 Mais estatisticas
casacoltrane.blogspot.com 313 Mais estatisticas
carcereiro.cjb.net 303 Mais estatisticas
lamansardadimiele.org/Crepax.htm 239 Mais estatisticas
lamansardadimiele.org/Serpieri.htm 232 Mais estatisticas
sobrefloreseespinhos.blogspot.com 221 Mais estatisticas
femdombrasil.com.br/index.htm 220 Mais estatisticas
fetishexchange.org/whatsepe.shtml 217 Mais estatisticas
hospicionormal.blogspot.com 211 Mais estatisticas
disciplineandservice.org 191 Mais estatisticas
serespaperconfi.blogspot.com 178 Mais estatisticas
sualicia.blogspot.com 169 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/sadomasoquism… 166 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/humilhacao 147 Mais estatisticas
domussunveritatis.blogspot.com 142 Mais estatisticas
pensamentosubmisso.files.wordpress.co… 135 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/bdsm 132 Mais estatisticas
masterbdsm.wordpress.com 130 Mais estatisticas
indominavel.blogspot.com 130 Mais estatisticas
pensamentosubmisso.files.wordpress.co… 126 Mais estatisticas
pensamentosubmisso.files.wordpress.co… 126 Mais estatisticas
lamansardadimiele.org 124 Mais estatisticas
pensamentosubmisso.files.wordpress.co… 116 Mais estatisticas
submissa.wordpress.com 115 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/masoquismo 112 Mais estatisticas
senhorverdugo.com 110 Mais estatisticas
bp1.blogger.com/_K38QeAZ-tuM/Rccfh87V… 108 Mais estatisticas
rainhafragil.wordpress.com 105 Mais estatisticas
lamansardadimiele.org/Justine.htm 103 Mais estatisticas
br.geocities.com/cuidadoepoder 102 Mais estatisticas
adclaudia.blogspot.com 101 Mais estatisticas

E enfim, de onde as pessoas vieram? Como chegaram no meu blog?

Tirando o próprio mecanismo de busca do wordpress, Dom Tormentos e Denise de AD são meus maiores “fornecedores” rss a minha grande surpresa foi o google, apenas 74 acessos vieram do google no último ano!

Obviamente o contador do wordpress não mapeia aquelas pessoas que possuem o endereço do meu blog salvo em seus favoritos no micro, estes eu não faço a mínima idéia de quantos sejam.

Referências em 2008-10-28

Citou Visualizações
pt-br.wordpress.com/tag/masoquismo 1.075 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/sadomasoquism… 1.018 Mais estatisticas
orkut.com/Profile.aspx?uid=1350820547… 840 Mais estatisticas
br.geocities.com/domtormentos/links.h… 648 Mais estatisticas
submissadead.blogspot.com 334 Mais estatisticas
sualicia.blogspot.com 284 Mais estatisticas
submissa.wordpress.com 235 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/humilhacao 219 Mais estatisticas
prazeredor.blogspot.com 180 Mais estatisticas
torturascrueis.blogspot.com 179 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/sadomasoquism… 167 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/bdsm 160 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/dominacao-psi… 158 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/relacao-ds 129 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/sadomasoquism… 124 Mais estatisticas
wordpress.com/tag/sadomasoquismo 116 Mais estatisticas
wordpress.com/tag/bdsm 114 Mais estatisticas
pt.wordpress.com/tag/sadomasoquismo 102 Mais estatisticas
rainhafragil.wordpress.com 98 Mais estatisticas
escravasubmissadogwoman.blogspot.com 94 Mais estatisticas
indominavel.blogspot.com 90 Mais estatisticas
senhorverdugo.com/links.asp 78 Mais estatisticas
janeladaliz.blogspot.com 77 Mais estatisticas
monjheca.blogspot.com 77 Mais estatisticas
technorati.com/tag/sadomasoquismo 74 Mais estatisticas
google.com.br 74 Mais estatisticas
wordpress.com/tag/masoquismo 73 Mais estatisticas
orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=422052… 71 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/masoquismo/2 70 Mais estatisticas
orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=30250591… 64 Mais estatisticas
cadela-g.blogspot.com 62 Mais estatisticas
orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=42205253… 61 Mais estatisticas
es.wordpress.com/tag/erotismo 55 Mais estatisticas
elosquecativam.blogspot.com 52 Mais estatisticas
rosavermelhasubmissa.blogspot.com 48 Mais estatisticas
pt-br.wordpress.com/tag/humilhacao/2 47 Mais estatisticas
ghostwish.wordpress.com 46 Mais estatisticas
wordpress.com/tag/humilhacao 44 Mais estatisticas
omarkhayyam2.wordpress.com 43 Mais estatisticas
amomeudono.blogbdsm.net 42 Mais estatisticas

 

E finalizando, um blog novo (o contador me mostrou esse blog hoje) eu o visitei e gostei muito mesmo, se chama Trazos D/s  e segundo sua descrição trata de : Apuntes incompletos… esos que completan una visión de la D/s. Una mirada reflexiva y crítica a nuestra experiencia en el Estilo de Vida BDSM. Y un guiño a la sociedad que nos rodea.” http://gabrelyonajv.blogspot.com/ Vale à pena a vista. Tem texto bom, livro online sobre BDSM e links para outrois blogs de língia espanhola sobre BDSM :)

 

Dia mais agitado: 493 — Wednesday, October 22, 2008

Visitas hoje: 463

Outubro 20, 2008

Sing

Arquivado em: BDSM, Entrega, Experiência Pessoal, Masoquismo, Música, Sadomasoquismo — rose @ 10:09 pm

Cada día pienso en tí
Pienso un poco más en tí
Despedazo mi razón
Se destruye algo de mi
Cada día pienso en tí
Pienso un poco más en tí

Cada día pienso en tí
Pienso un poco más en tí
Cada vez que sale el sol
Busco en algo el valor
Para continuar así
Y te veo asi no te toque
Rezo por ti cada noche
Amanece y pienso en tí
Y retumba en mis oidos
El tictac de los relojes
Y sigo pensando en tí

Y sigo pensando…..

Despacito cuando tu dormias
ella te hablaba, te preguntaba, te protegía.

Ella prometio darte todo,
pero solo pudo darte lo que tuvo.
Y para ti lo mas hermoso
era amanecer junto a sus ojos,
iluminando el mundo

Pero los pajaros no pueden ser enjaulados
porque ellos son del cielo, ellos son del aire.
Y su amor es demasiado grande para guardarlo

Volaste alrededor de la luna con ella,
le pediste que nunca se fuera,
y ella respondio:
“Mi amor siempre estara… cuidantote”

Y la dejaste volar
y tus ojos lloraron hasta doler
pero solo tu sabias
que así tenia que ser
que así… tenia que ser…

Ella prometío darte todo,
pero solo pudo darte lo que tuvo
y para ti lo más hermoso
era amanecer junto a sus ojos
iluminando el mundo.

Pero los pajaros no pueden ser enjaulados
Porque ellos son del cielo, ellos son del aire
Y su amor es demasiado grande para guardarlo

Y la dejaste volar
Y tus ojos lloraron hasta doler
Pero solo tu sabias
Que asi tenia que ser

Y la dejaste volar
Y sus ojos lloraron hasta doler
Pero solo ella sabia
Que asi tenia que ser

Y la dejaste volar
Y tus ojos lloraron hasta doler
Pero solo tu sabias
Que asi tenia que ser
Que asi… tenia que ser…

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