Tenho uma amiga que diz que quando se lê um texto num blog, é possível saber que sentimentos, que afetos movem o autor e até mesmo, para quem o texto foi escrito, esse texto é praquele que ontem de noite foi muito generoso comigo, na tentativa de me guiar rumo ao meu eu verdadeiro e fazer de mim uma pessoa melhor. Obrigada, Sr.
Gostaria de conversar com esse meu muso sobre a amizade, mas não repetindo tudo o que já foi dito sobre o que é ser amigo, quais suas bases filosóficas e epistemológicas, a minha intenção é pegar um sentimento, uma característica da amizade, uma virtude e conversar, penso que sem essa virtude não há a possibilidade de ser amigo de ninguém (pode ser colega, conhecido, chapa, mas amigo não) e essa característica/virtude essencial é a GENEROSIDADE.
Um amigo me disse que viu um programa na TV outro dia e esse programa afirmava que uma pessoa na vida podia ter no máximo 5 melhores amigos, 50 amigos mais chegados e 150 conhecidos (e tem gente do orkut que tem 800 “amigos”!)
Aí ele me disse que a reportagem afirmou o óbvio; o que separa o primeiro
grupo do segundo e o segundo do terceiro é a capacidade de nos doarmos, de darmos de nosso tempo, de sermos generosos com o cara do primeiro grupo mais que com o do segundo e mais, muito mais que com o do terceiro.
Então a intenção aqui é falar dessa virtude que empreendemos com os nossos melhores amigos e eles conosco. A GENEROSIDADE.
Generosidade é algo subjetivo, singular, afetivo.
Uma pessoa pode agir com generosidade unicamente de acordo com as exigências do amor, da moral ou da solidariedade.
SOLIDARIEDADE, outra característica dos que estão no primeiro grupo.
O que é a solidariedade? É um estado de fato antes de ser um dever; depois é um estado de alma (que sentimos ou não), antes de ser uma virtude ou um valor. Solidário tem a mesma etimologia de sólido , vejam sou bióloga, professora de ciências, e em ciências um corpo sólido é um corpo em que todas as partes se sustentam (na água em estado sólido as moléculas, poderíamos dizer, são mais solidárias do que nos estados líquidos ou gasosos), de tal sorte que tudo o que acontece com uma acontece também com a outra ou repercute nela.
Em suma, a solidariedade é antes de tudo o fato de uma coesão, de uma interdependência, de uma comunidade de interesses ou de destino. Ser solidários, nesse sentido, é pertencer a um mesmo conjunto e partilhar, conseqüentemente – quer se queira, quer não, quer se saiba, quer não – uma mesma história. Dai pensem, quem é solidário é solidário com e/ou a alguém.
Mas voltemos à generosidade.
A generosidade é algo maior que o amor, porque o amor só é generoso com o ser amado e enquanto ama, e maior porque é possivel dar sem amar, mas é impossivel amar sem dar , outra coisa bacana é que o amor não se comanda, a generosidade sim.
Basta querer. O amor não depende de nós, é o maior mistério… o amor não desculpa tudo, a generosidade sim. Se o mandamento bíblico – amar ao próximo como a si mesmo – fosse possível, a generosidade não seria necessária seria? Portanto, não se trata de amar, mas de agir como se amássemos com o próximo como com nós mesmos, com um desconhecido como com nós mesmos.
… Mas … somos egoístas, somos falhos, nós amamos o amor e não sabemos amar. Mamamos o amor do mesmo modo que ao leite, o bastante para saber que só ele podia nos satisfazer e que, portanto, ele nunca deixaria de nos fazer falta…
Ser generoso é ser livre de si, de suas pequenas covardias, de suas pequenas posses, de suas pequenas cóleras, de seus pequenos ciúmes…
A generosidade é “Um desejo pelo qual um indivíduo, a partir do simples mandamento da razão, se esforça por assistir os outros homens e estabelecer entre estes e ele um vínculo de amizade.”
A generosidade nos eleva em direção aos outros, poderíamos dizer, e em direção
a nós mesmos enquanto libertos de nosso pequeno eu. Aquele que não é nem um pouco generoso, está mais próximo de ser baixo, covarde, mesquinho, vil, avaro, egoísta, sórdido… E todos nós o somos, no entanto nem sempre ou completamente: a generosidade é o que nos separa dessa baixeza ou, às vezes, nos liberta dela.
Notemos, para concluir, que a generosidade, como todas as virtudes, é plural, tanto em seu conteúdo como nos nomes que lhe prestamos ou que servem para designá-la. Somada à coragem, pode ser heroísmo. Somada à justiça, faz-se eqüidade. Somada à compaixão, torna-se benevolência. Somada à misericórdia, vira indulgência. Mas, em minha opinião, seu mais belo nome é seu segredo, que todos conhecem: somada à doçura, ela se chama bondade.
E é isso que faz com que o Sr esteja no primeiro grupo…
“O coração do homem é oco e cheio de lixo”, dizia Pascal. Porque, quase sempre, “só está cheio de si mesmo”.
Fiquei pensando sobre o q vc disse sobre solidariedade… vejo de uma maneira um tiquinho diferente (a não ser q não tenha lido direito o q vc escreveu…rs).
Acho q a solidariedade independe da amizade. Podemos ser solidários a alguém mesmo sem conhecer. A solidariedade é vc se pôr no lugar do outro, tentar sentir o q o outro sente, qdo é assim, sofrer com o sofrimento alheio. Posso ser solidária a uma idéia, a um fato, e a pessoas tb, é claro.Acho q a solidariedade fica próxima do altruísmo, na medida em q tento ajudar efetivamente, sem obter nada em troca (nem amizade, q é sempre via de mão dupla) só pelo fato de conseguir me identificar com o sofrimento do outro.
Aff, será q falei besteira?
Beijocas, plutinha.
L.
Comentário por Anonymous — Maio 22, 2007 @ 3:57 pm |
Eu não associei solidariedade com amizade, disse que deve existir coesão – usei o exemplo do corpo sólido lembra? – essa coesão, penso eu, vem da identificação que temos com o outro ou com a situação que aflige o outro (que pode nos tocar de alguma forma), podemos não ser amigos, podemos inclusive não nos conhecer mesmo, podemos até mesmo não gostar desse outro, mas houve uma identificação a priori que fez com que eu me colocasse no lugar dele e pudesse a partir daí, agir de modo compassivo e/ou solidário.
Pessoas generosas são solidárias, a solidariedade necessita da generosidade.
Qdo afirmo que “Ser solidários, nesse sentido, é pertencer a um mesmo conjunto e partilhar, conseqüentemente – quer se queira, quer não, quer se saiba, quer não – uma mesma história” é a esse processo de identificação que me refiro e não a amizade. por isso inclusive que afirmo “quer se queira, quer se não, quer se saiba, quer se não”.
Estamos falando a mesma língua minha doce amiga.
Obrigada por ter escrito
Comentário por rose — Maio 22, 2007 @ 4:42 pm |
Concordo com vc
Não são todas as pessoas que tem maturidade para escrever o que vc escreveu sem parecer uma frase feita, tirada num desses carderninhos de poesia..
Abraço
Comentário por Dyanat Valin — Junho 9, 2009 @ 10:17 pm |
achei muito interessante o qui tá escrito ai muito legal !!!
(´666
Comentário por jaqueline — Junho 19, 2009 @ 7:29 pm |