Eu preferi Desejo de Pânico, me tocou mais. Ler Falsa Submissão foi como não ler nada original, a autora se repete no enredo e ficou pra mim, parecendo a mesma história só com uma roupinha nova.
Desejo de Pânico a roupa é de domingo, Falsa Submissão roupa de trabalhar na fábrica, mas quem veste a roupa é a mesma pessoa. Tem os mesmos argumentos e basicamente o mesmo tipo de final para a mocinha. Ou seja, literariamente a autora é fraca, pouco criativa, pior que Sidney Sheldon. Quer um único exemplo (tenho vários), na página 202 M. diz isso:“Somos farinha do mesmo saco, Nora. Fomos feitos um para o outro. Só que você ainda não sabe” wow, James também disse isso!! Não com as mesmas palavras mas disse exatamente a mesma coisa. Então, quando eu começo a gostar da narrativa, a partir da cena com o cachorro, o livro acaba.
Esse livro tem seus méritos, na verdade, ele tem um grande mérito. Ele deveria ser lido com olhos críticos, muito críticos, absolutamente críticos por toda aspirante a submissa. Explico:
Há duas mulheres retratadas ali, ambas possuem mistérios, traumas pessoais, peculiaridades que as diferenciam e paradoxalmente as aproximam muito. Ambas se submeteram ao mesmo homem, uma por amor desmedido, outra por desejo. A “lição moral” do livro é: vejam pobres chapeuzinhos o que acontece com quem se submete pelos motivos errados.
O título do livro é Falsa Submissão e eu pergunto, quem é a falsa submissa do título? A que se submeteu por amor, ou a que se submeteu por desejo? Esqueça todo o contexto de crime e suspense do livro e pense só nessa pergunta… qual caminho é o mais correto e seguro: se submeter por amor, ou se submeter por desejo? Outra coisa, na página 375 há uma passagem que toda submissa ou aspirante a tal posto também deveria levar em consideração, diz assim: “Lembra-se de eu ter dito que Franny não me negava coisa alguma? Não é verdade. Ela me negaça muitas coisas, algumas delas, realmente perigosas. Eu a respeitava mais cada vez que dizia não, embora nunca tenha lhe dito isso”. Num relacionamento SM existem limites a serem observados e respeitados de ambas as partes, existe uma palavra de salvação e é pra ser usada. A gente não tem que se envergonhar de usar a safe, não é demérito algum… é a segunda “lição moral” para submissas do livro. Queiramos ou não, as duas se entregaram e as duas foram, de alguma forma, submissas. Mas uma delas era falsa.
Se formos começar a discutir dentro do enredo do livro se a Nora não era sub, se só se submeteu por vingança, executando pura e simplesmente a dominação por baixo que inicialmente ela queria executar, por causa de um plano pra descobrir a verdade sobre a morte da irmã, a resposta pra mim é não.
Na penúltima página do livro, depois de tudo acabado, ela diz isso: “À noite sonho com o homem que me forçou a obedecer, com o chicote que me mantinha na linha, com as amarras que confinavam minha carne e as ordens que arreavam minha alma. Com a necessidade primordial, profunda, obscura e pagã que unia o prazer à dor. Em meus sonhos, eu me encolho diante de suas exigências mas cedo e ainda o quero. Minhas necessidades e meus anseios são inexplicáveis até mesmo para mim (…) M. despertou desejos em mim cuja existência eu ignorava, e talvez meu lugar não seja ao lado de um homem como Ian. Talvez o lugar de Ian não seja ao lado de uma mulher como eu” (p. 396-397. Agora seguindo a mesma linha, onde a Franny é sub? Onde ela necessita daquilo na vida dela pra ser feliz? Pra ser uma mulher completa? Onde ela sente prazer (seja na dor, o prazer masoquista, ou seja em obedecer, o prazer submisso)?? Eu não consegui enxergar isso… M. diz bem claro que a seduziu, fazia amor com ela do modo que ela desejava e depois que a tinha seduzido, nunca mais fez como ela queria…
Eu enxerguei em Franny uma mulher que tinha uma auto-estima tão abaixo do subsolo, que possuía dentro de si um sentimento de culpa tão absurdo, que era tão absurdamente solitária e abandonada por todos, inclusive por si mesma, que via numa relação enganosa e auto-destrutiva (e digo auto-destrutiva porque não havia prazer pra ela) a única possibilidade de amor; um falso amor, um amor que só existia na cabeça dela. A Franny pra mim não é submissa, ela é um exemplo asqueroso de como o motivo errado pode trazer uma pessoa pra cá. Ela sim em sua sessão derradeira tenta de modo obcecado dominar M. por baixo, fazer barganha – te dou tudo, sem limites, desde que vc me ame – isso é tão triste e deprimente que chega a ser nojento. Merece morrer mesmo uma doida dessas.
Adorei sua critica sobre o livro.
Você me convenceu a le-lo, vou ir procurar este livro!
Comentário por Paloma luna — Março 21, 2008 @ 2:25 am |
muito bem vc olhou bem profundo os erros da autora; eu tinha lido o livro e também acho q ela faz muitas voutas pra chega em um certo ponto.Fora q eu só entendi o livro quando estava no meio dele.
Comentário por jaqueline gomes — Junho 27, 2009 @ 3:14 pm |