Pensamento Submisso

Setembro 12, 2007

Falsa Submissão

Arquivado em: BDSM, Livros — rose @ 1:11 am

Eu preferi Desejo de Pânico, me tocou mais. Ler Falsa Submissão foi como não ler nada original, a autora se repete no enredo e ficou pra mim, parecendo a mesma história só com uma roupinha nova.

Desejo de Pânico a roupa é de domingo, Falsa Submissão roupa de trabalhar na fábrica, mas quem veste a roupa é a mesma pessoa. Tem os mesmos argumentos e basicamente o mesmo tipo de final para a mocinha. Ou seja, literariamente a autora é fraca, pouco criativa, pior que Sidney Sheldon. Quer um único exemplo (tenho vários), na página 202 M. diz isso:“Somos farinha do mesmo saco, Nora. Fomos feitos um para o outro. Só que você ainda não sabe” wow, James também disse isso!! Não com as mesmas palavras mas disse exatamente a mesma coisa. Então, quando eu começo a gostar da narrativa, a partir da cena com o cachorro, o livro acaba.

Esse livro tem seus méritos, na verdade, ele tem um grande mérito. Ele deveria ser lido com olhos críticos, muito críticos, absolutamente críticos por toda aspirante a submissa. Explico:

Há duas mulheres retratadas ali, ambas possuem mistérios, traumas pessoais, peculiaridades que as diferenciam e paradoxalmente as aproximam muito. Ambas se submeteram ao mesmo homem, uma por amor desmedido, outra por desejo. A “lição moral” do livro é: vejam pobres chapeuzinhos o que acontece com quem se submete pelos motivos errados.

O título do livro é Falsa Submissão e eu pergunto, quem é a falsa submissa do título? A que se submeteu por amor, ou a que se submeteu por desejo? Esqueça todo o contexto de crime e suspense do livro e pense só nessa pergunta… qual caminho é o mais correto e seguro: se submeter por amor, ou se submeter por desejo? Outra coisa, na página 375 há uma passagem que toda submissa ou aspirante a tal posto também deveria levar em consideração, diz assim: “Lembra-se de eu ter dito que Franny não me negava coisa alguma? Não é verdade. Ela me negaça muitas coisas, algumas delas, realmente perigosas. Eu a respeitava mais cada vez que dizia não, embora nunca tenha lhe dito isso. Num relacionamento SM existem limites a serem observados e respeitados de ambas as partes, existe uma palavra de salvação e é pra ser usada. A gente não tem que se envergonhar de usar a safe, não é demérito algum… é a segunda “lição moral” para submissas do livro. Queiramos ou não, as duas se entregaram e as duas foram, de alguma forma, submissas. Mas uma delas era falsa.

Se formos começar a discutir dentro do enredo do livro se a Nora não era sub, se só se submeteu por vingança, executando pura e simplesmente a dominação por baixo que inicialmente ela queria executar, por causa de um plano pra descobrir a verdade sobre a morte da irmã, a resposta pra mim é não.

Na penúltima página do livro, depois de tudo acabado, ela diz isso: “À noite sonho com o homem que me forçou a obedecer, com o chicote que me mantinha na linha, com as amarras que confinavam minha carne e as ordens que arreavam minha alma. Com a necessidade primordial, profunda, obscura e pagã que unia o prazer à dor. Em meus sonhos, eu me encolho diante de suas exigências mas cedo e ainda o quero. Minhas necessidades e meus anseios são inexplicáveis até mesmo para mim (…) M. despertou desejos em mim cuja existência eu ignorava, e talvez meu lugar não seja ao lado de um homem como Ian. Talvez o lugar de Ian não seja ao lado de uma mulher como eu” (p. 396-397. Agora seguindo a mesma linha, onde a Franny é sub? Onde ela necessita daquilo na vida dela pra ser feliz? Pra ser uma mulher completa? Onde ela sente prazer (seja na dor, o prazer masoquista, ou seja em obedecer, o prazer submisso)?? Eu não consegui enxergar isso… M. diz bem claro que a seduziu, fazia amor com ela do modo que ela desejava e depois que a tinha seduzido, nunca mais fez como ela queria…

Eu enxerguei em Franny uma mulher que tinha uma auto-estima tão abaixo do subsolo, que possuía dentro de si um sentimento de culpa tão absurdo, que era tão absurdamente solitária e abandonada por todos, inclusive por si mesma, que via numa relação enganosa e auto-destrutiva (e digo auto-destrutiva porque não havia prazer pra ela) a única possibilidade de amor; um falso amor, um amor que só existia na cabeça dela. A Franny pra mim não é submissa, ela é um exemplo asqueroso de como o motivo errado pode trazer uma pessoa pra cá. Ela sim em sua sessão derradeira tenta de modo obcecado dominar M. por baixo, fazer barganha te dou tudo, sem limites, desde que vc me ame isso é tão triste e deprimente que chega a ser nojento. Merece morrer mesmo uma doida dessas.

2 Comentários »

  1. Adorei sua critica sobre o livro.
    Você me convenceu a le-lo, vou ir procurar este livro!

    Comentário por Paloma luna — Março 21, 2008 @ 2:25 am | Responder

  2. muito bem vc olhou bem profundo os erros da autora; eu tinha lido o livro e também acho q ela faz muitas voutas pra chega em um certo ponto.Fora q eu só entendi o livro quando estava no meio dele.

    Comentário por jaqueline gomes — Junho 27, 2009 @ 3:14 pm | Responder


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