A trilogia erótica de Anne Rice sob o pseudônimo A. N. Roquelaure, a série Beauty, compreende os volumes: O Despertar da Bela Adormecida, O Castigo da Bela Adormecida e A Libertação da Bela Adormecida, publicados em Portugal pelas Publicações Europa América. Na Livraria Cultura, pode-se fazer a encomenda de importação.
Todos nós conhecemos a história da Bela Adormecida dos irmãos Grimm. Enfeitiçada por uma bruxa, ao furar o dedo em uma roca, ela e o seu reino caem num profundo sono sem sonhos, durante 100 anos. Segundo a história que sabemos, a princesa é acordada por um beijo.
Aqui não, em O Despertar da Bela Adormecida, a princesa é acordada perdendo a sua virgindade. Anne Rice retoma a sua veia erótica nesta história, embora com contornos mais sadomasoquistas.
“Retirou a espada (o príncipe) com a qual cortara as roseiras do exterior, e delicadamente fez deslizar a lâmina entre os seios dela, rompendo facilmente o tecido velho”.
(…)
«(…)Ele montou-a, afastando-lhe as pernas, dando um suave beliscão à parte branca interior das coxas dela e, agarrando o seio direito com a sua mão esquerda, impeliu o seu sexo para dentro dela. Enquanto o fazia, mantinha-a junto de si, para unir a boca dela à sua e, ao quebrar a inocência dela, abriu-lhe a boca com a língua e beliscou rudemente os seios dela. Sugou-lhe os lábios, inalou a sua vida e, sentindo a sua semente a explodir dentro dela, ouviu-a gritar(…)»
O Príncipe exige levar Bela como sua escrava, sendo esta a sua recompensa por libertar o reino de tantos anos de sono e anos perdidos, em reputação, glórias e conquistas.
Assim, Bela é despida, literalmente, da sua nobreza e personalidade, e levada para o reino do Príncipe.
É despojada do seu orgulho, tendo que aprender, primeiro, a ter desejo sexual, depois a ter desejo sexual com a dor infligida, posteriormente a controlá-lo (pois apenas seus Senhores têm o poder de aliviá-lo), a submeter-se aos requisitos de mulheres e de homens, à humilhação em público, a ser tratada como cão, escrava, peça de caça.
No livro de Anne Rice, a escravidão sexual é um hábito não só no Castelo como em todo o reino e os escravos não são escolhidos entre a população do reino, mas sim entre a nobreza, já que os seus próprios pais, também antigos escravos, os oferecem como tributos aos Reis em troca de títulos e status. Assim, todas as dezenas de escravos que existem no Castelo, são príncipes e princesas, todos lindos de morrer, posse de um nobre que é seu mestre, destinados a sofrer sevícias sexuais, a apanhar e a servir. Andam nus, de quatro, e quando ficam parados é sempre na posição joelhos e com as mãos entrelaçadas atrás do pescoço para não terem a tentação de tapar o corpo.
De modo interessante a autora demonstra ao longo do texto que na realidade eles até sentem um secreto e incontrolável prazer nisso e acabam por cumprir o seu dever: estarem sempre excitados sexualmente. Quanto mais se excita o escravo, melhor ele é. Todos os escravos são masoquistas, todos os mestres são sádicos e a vida no castelo é um constante “divertimento”.
Contudo, aos escravos que não se portam bem, que não se excitam por apanhar, ou que se insurgem contra o seu mestre, é-lhes dado o grande castigo: são levados para a aldeia e vendidos em leilão público aos aldeões que são todos trabalhadores no Castelo, e os tratarão ainda pior. Estes aldeões que em condições normais serviriam os príncipes têm agora a grande oportunidade de inverter posições e de se vingarem.
Esta é a história do segundo volume da trilogia: O Castigo da Bela Adormecida.
Ao fim do primeiro volume, Bela, propositadamente, porta-se mal (ela sabe que ainda não foi educada como deve ser) e é enviada para a aldeia numa carroça cheia de escravos, mas na qual ela não se inibe de satisfazer o seu desejo sexual com Tristan, outro escravo. A vida na aldeia é muito pior. Enquanto no Castelo os escravos tinham momentos em que eram cuidados e mimados com banhos, massagens e óleos para tratar as feridas, aqui ninguém quer saber se eles têm a pele seca e gretada. A única proibição é, tal como no castelo, infrigir-lhes marcas permanentes ou profundas, queimaduras ou ferimentos graves.
Ao longo do livro, seguimos as peripécias de Bela e de Tristan, um modelo da virtude escravagista, e conhecemos Laurent, o escravo com feitio de mestre que acompanharemos no livro seguinte.
Não se engane quem pensa que no terceiro e derradeiro volume: A Libertação da Bela Adormecida, algo muda.
Agora na corte, com Laurent e Tristan de quem já conhecemos a anatomia e os segredos sórdidos, Bela sofre as agruras do prazer levado à exaustão. Levada para o Harém de um sultão, descobre com grande repulsa, que todas as mulheres são excisadas. Porém Bela mostra-lhes que mesmo sem clitóris, o orgasmo é possível e gratificante. Claro que enquanto Bela prova o amor sáfico, Laurent e Tristan provam o sultão.
Os escravos acabam por ser resgatados e levados de volta para a aldeia. Bela é libertada para voltar a ser princesa e chora desalmadamente porque não irá voltar a levar pancada, enquanto Laurent e Tristan vão para o estábulo servir como pôneis, para puxar carroças e carruagens, com falos cabeludos de couro enfiados no ânus.
A história não acaba aqui, não contarei o fim, (na verdade eu não contei nada, o legal é ler o livro) afinal vá que alguém queira ler a trilogia?
Agora abaixo transcrevo um pouquinho do livro 1
“O Despertar da Bela Adormecida” excertos das páginas 142 à 149.
O trecho a seguir se dá num momento em que Bela, após ter sido severamente castigada num jogo, está presa, amarrada à uma parede no escuro, enquanto seus senhores dormem. O capítulo é muito grande e optei por transcrever algumas de suas falas com Alexi, que a desamarra escondido e a leva para outro aposento. Alexi (que também é um Príncipe escravo, tal como Bela) explica a ela o motivo pelo qual Bela, num ato de submissão, após ser severamente surrada, prostra-se frente à sua algoz (a Dama Juliana) e lhe entrega com carinho e desejo, uma rosa presa por entre seus dentes.
Gostei muito desse capítulo porque ele expressa dúvidas comuns que assombram a todas nós submissas, quando iniciamos na descoberta de nossos desejos. A última frase proferida por Bela nessa minha transcrição poderia ter sido dita por mim: “Sinto-me envergonhada quando cedo. Sinto que perdi realmente.” É um perfeito paradoxo, acho que é isso que significa dizer que a escrava só ganha o jogo quando o perde. Bela se sentiu extremamente envergonhada, sentiu-se humilhada ao ver que perdeu realmente, e ao invés de sentir raiva – a raiva que existia antes acabou, foi embora – … ela sem entender porque, pega uma rosa no chão com os dentes e coloca no colo da Dama Juliana… e sente tesão ao fazer isso. Envergonhada, humilhada, perdida, mas com tesão.
(…)
E aqui estava ela entre todas as coisas como se não passasse de um adorno, um bem, guardado juntamente com outros bens valiosos.
Ela suspirou e, deliberadamente esfregou o traseiro na parede de pedra, desejando de algum modo puni-lo ainda mais para que, após alguns segundos, ela pudesse sentir o alívio quando o parasse de fazer.
A vagina não parava de latejar. Estava pegajosa com a sua própria umidade. Pobre Princesa Lizetta no Salão de Castigos, sofreria ela mais do que isto? Pelo menos não estava sozinha no escuro e subitamente até aqueles que deviam passar por ela, insultando-a, provocando-a, acariciando o sexo inchado, pareciam à Bela uma companhia desejável. Ela debatia-se e contorcia as ancas. Não estava confortável e não queria compreender o motivo pelo qual sentia essa ânsia quando somente há algum tempo atrás a dor fora tão grande que ela beijara as sandálias da Dama Juliana. Corou ao pensar nas palavras da Dama Juliana, naquelas palmadas reprovadoras que de algum modo a magoaram mais do que as outras.
(…)
Mas porquê? Por que motivo é que Bela, mesmo ao final, apanhara aquela última rosa, e porque sentira os seios inchados de calor quando a Dama Juliana a retirara dos seus lábios? Parecia que naquele instante os mamilos de Bela eram capas cruéis que impediam que o prazer a invadisse. Que pensamento estranho. Naquela altura os mamilos pareciam-lhe demasiado tensos e a vagina escancarava-se e ansiava. (…)
(…)
Ela abanou a cabeça, encostando-a à parede. Mas porque é que pegara a rosa e oferecera a bela Dama Juliana?
(…)
- Tu cedeste? – quis saber ela, ligeiramente zangada.
- Claro – disse ele, sem hesitar. Eu adoro a Rainha e adoro agradar-lhe. Adoro todos aqueles que me atormentam porque tem de ser assim, é muito simples.
- E não sentes dor ou humilhação?
- Sinto uma grande dor e humilhação. E isso nunca terminará. Se terminasse, nem que fosse por algum tempo, os nossos mestres infinitamente inteligentes pensariam em alguma forma de nos fazer sentir assim de novo. Pensas que não fui humilhado no Grande Salão ao ser erguido por Felix e espancado perante toda a Corte, de uma forma tão casual e por tão pouco? Eu sou um Príncipe poderoso. O meu pai é um Rei poderoso. Eu nunca me esqueço disso. Certamente foi doloroso ser tão maltratado pelo Príncipe Herdeiro para teu prazer (…)
(…)
- Bem, hoje a noite… a rosa, a última rosa cor-de-rosa… por que é que apanhei com os dentes e ofereci à Dama Juliana? Porquê? Ela tinha sido tão cruel comigo.
- Querias agradar. Ela é a tua mestra. Tu és uma escrava. O melhor que podes fazer é agradar, por isso procuras fazê-lo, e não apenas como resposta às palmadas com a pá e às ordens dela, mas naquele momento de livre e espontânea vontade.
- Sim – disse Bela, era isso. – E, no caminho dos cavaleiros, como hei-de dizer? Senti uma libertação dentro de mim como se já não estivesse a debater-me, era apenas uma escrava, uma pobre escrava desesperada que devia empenhar-se, empenhar-se puramente.
- És eloqüente – disse ele com sinceridade. – Já sabes muito.
- Mas não quero sentir isso. Quero rebelar-me no íntimo do meu ser, quero tornar-me insensível perante eles. Eles atormentam-me constantemente (…)
(…)
- Bela, tens de aprender. Tens de aceitar e ceder. Então verás que tudo é simples.
- Eu não estaria aqui contigo se cedesse porque o Príncipe…
- Sim, podias estar aqui comigo. Eu adoro a minha Rainha e estou aqui contigo. Amo-as as duas. Entrego-me por inteiro bem como a tudo o resto e até à noção de que posso ser punido. E quando for punido, irei odiar essa situação. Sofrerei, compreenderei e aceitarei. Bela, quando te resignares, florescerás na dor e no sofrimento.
(…)
- Mas será que, mais tarde ou mais cedo, toda gente adquire essa capacidade de resignação?
- Não, alguns sim, mas é muito difícil saber quem a adquiriu. Eu consigo saber, mas os mestres nem sempre são tão perspicazes, posso assegurar-te. Por exemplo, Felix disse-me que ontem vistes a Princesa Lizetta atada no Salão de Castigos. Pensa que ela está resignada?
- Claro que não!
- Mas está, ela é uma grande e valiosa Princesa escrava. A Princesa Lizetta adora estar acorrentada, não ser capaz de se mover e, quando está verdadeiramente aborrecida, ela suporta a cólera de seus superiores, optando por diverti-los deixando que eles a castiguem.
- Não, não podes estar a falar sério.
- Estou. Ela é assim. Todos os escravos tem a sua maneira de ser. E tu tens de encontrar a tua. Nunca será fácil para ti. Sofrerás muito antes de te aperceberes disso, mas não vês que no Caminho dos Cavaleiros e esta noite quando deste a rosa à Dama Juliana sentiste o princípio de tudo isso? A Princesa Lizetta é uma lutadora. Tu serás uma submissa, basicamente como eu. Essa será a tua forma de estar, a tua devoção única e pessoal. Uma enorme calma, uma enorme serenidade. (…)
(…)
- Não, não sei. Sinto-me envergonhada quando cedo. Sinto que perdi realmente.
(…)
adorei a indicação dos livros!
não os conehcia ainda!
boa semana pra vc.
Comentário por cadela_G — Agosto 12, 2008 @ 2:27 am |
Minha linda e amada amiga pluta de asas,
Por uma total falta de tempo não vou comentar seu post agora, embora esteja aqui louca pra ler e dar pitaco. Volto depois, tá?
Vim aqui pra te dizer que tem um recadinho pra vc no meu último post. Te espero lá.
Doces besos de quem te adora! *;-)
Comentário por Amar Yasmine do AQUILIS — Agosto 13, 2008 @ 1:47 pm |
realmente empolgou com a leitura1 rs
Comentário por monjh — Agosto 14, 2008 @ 1:17 am |
Gostei da dica.
Eu já li estes livros na sua versão em inglês.
Comprei pela Amazon.
Legal que saíu em português.
Vou comprar.
obrigado,
RicarDOM
Comentário por RicarDOM — Agosto 16, 2008 @ 3:32 pm |
Querida, preparando-me para comprar e ler a trilogia …..
Sabe quando será vendido aqui no Brasil?
Ou terei que pedir para alguem de fora?
Beijos carinhosos
{ÍsisdoEgito}JZ
Comentário por {ÍsisdoEgito}JZ — Novembro 23, 2008 @ 6:21 pm |
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Na livraria Cultura, basta fazer a encomenda de importação
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Comentário por rose — Novembro 24, 2008 @ 4:43 pm |
Amei a descrição dos livros, principalmente as partes que mostravam a Bela questionando-se sobre o que passava. Estes livros sairão para o idioma português-Brasil ? Gostaria de comprá-los, mas não sei como seria um livro de Anne em liguagem portuguesa de Portugal.
Comentário por Danúbia — Novembro 25, 2008 @ 3:11 pm |
Eu comprei esta trilogia diretamente da Editora em Portugal. Me enviaram por correio direitinho sem problemas.
Basta ter um cartão de crédio internacional e fazer a encomenda pela internet.
Entre no site: : https://www.europa-america.pt
Saiu muito mais barato do que a Cultura.
Abraços,
RicarDOM
Comentário por RicarDOM — Março 1, 2009 @ 3:21 am |