Pensamento Submisso

Agosto 19, 2008

Necessidades ou vontades da submissa? por Polly Peachum

Arquivado em: BDSM, Entrega, Humilhação, Masoquismo, Relação D/s, Sadomasoquismo, TPE — rose @ 2:37 pm

Trad. Dragomir Boutli

 

Polly escreveu a mensagem que se segue em um grupo de discussão  ao qual ela pertenceu, em resposta a uma mensagem de outra submissa. Toda informação que venha a identificar a autora da mensagem que deu origem à resposta foi suprimida.

 

Alguém me disse que quando tenta conversar com seu Dominador e dizer a ele o que necessita, ele parece ouvir por um instante e tudo parece ir bem, mas após um certo tempo ele esquece e deixa de dar a ela o que ela necessita.

 

Eu fico me perguntando se ajudaria caso ela testasse descrever a ele algumas das coisas que ela pede, e também pudesse dizer porque ela acha que necessita essas mesmas coisas (em oposição a meramente querê-las).

 

Para mim, distinguir entre minhas necessidades e minhas vontades é tremendamente importante para que eu me sinta sob o controle do meu Dominador. Se eu quero algo e Jon se recusa a fazê-lo eu posso vir a pensar que ele não é de nada como dominador (ou até mesmo que não é mesmo um dominador) se eu tomo minha vontade por uma forte necessidade submissa. Mas na realidade, tudo o que ele faz quando ele se recusa a fazer a minha vontade é exercitar seu direito, como meu Dominador, de agir da maneira como ele bem entender. Se, contudo, algo que eu realmente necessitar dele não me for proporcionado, aí a história seria diferente: eu teria de chegar à conclusão que ele não é um bom dominador, ou talvez não seria o dominador certo pra mim ou talvez que ele não fosse mesmo um Dominador.

 

Aqui vão alguns exemplos de coisas que eu chamo de “vontade”. Antigamente eu confundia algumas delas com “necessidades”.

 

  • Ter vontade de fazer sexo com freqüência, muito mais do que ele deseja.

 

  • Querer que ele faça coisas novas comigo ou coisas mais elaboradas do que ele já faz.

 

  • Eu querer que ele faça todas aquelas atividades que ele é incapaz de fazer por ser deficiente físico.

 

 

  • Querer que ele faça as mesmas coisas – e com a mesma intensidade – que ele fez durante nossa primeira semana juntos, quando eu estava no “campo de treinamento submisso” e estava recebendo dele uma forte orientação. Às vezes eu penso que eu só queria sentir as coisas com a mesma intensidade que sentia quando eu era nova e estava ainda descobrindo coisas.
  • Querer que ele aja comigo como algum daqueles Dominadores na literatura de ficção: me amarrar e acorrentar numa cela escura e minúscula por toda a noite; fazer-me ajoelhar a seus pés a todo segundo, a não ser que eu tenha algo a fazer para ele; chicotear-me constantemente, de tal forma que eu esteja sempre ferida ou marcada; fazer-me andar todo o tempo nua ou quase; bom, toda aquela besteira fantasiosa. E eu quero que ele faça isso todo santo dia, não somente em ocasiões especiais!
  • Querer que ele seja mau comigo, mais estrito, mais severo, mais rígido, mais exigente e não que ele seja gentil quando eu pedir algo. Querer que ele me rejeite arbitrariamente ou por prazer.
  • Querer que ele promova sessões minhas com outros Dominadores que eu ache atraentes e seguros.
  • Ter vontade de nunca perder o controle ou gritar com ele, nunca ficar irritada, nunca ficar resistente, nunca me sentir como uma má submissa.
  • Querer não ter que jogar aquele jogo de cartas bobo de que ele tanto gosta virtualmente todas as noites do ano, antes de ir para a cama!
  • Querer que ele saiba sempre instantaneamente o que dizer para me acalmar e para me trazer de volta ao estado de submissão quando eu estou irritada.

Eu não vou entrar no mérito do por quê algumas dessas vontades são antes infantis (vamos destinar isto a outra mensagem), mas a questão é que satisfazer ou não esses meus desejos superficiais tem pouco ou nada a ver com sua habilidade em me dominar. No final das contas é justamente dessa sua habilidade em me dominar que eu necessito. Eu poderia passar o resto da minha vida perfeitamente feliz sem aquelas coisas, ainda que eu goste de algumas delas.

Bom, quais seriam então algumas das minhas necessidades?

 

  • Eu preciso me sentir completamente segura e confiante com ele em relação a tudo o que eu venha a trazer a ele ou em relação a qualquer coisa que venha a acontecer. Eu necessito poder confiar em sua estabilidade e em saber que ele não perderá o controle, não importa o que eu venha demandar dele.
  • Eu necessito me sentir realmente controlada, possuída e sobrepujada por alguém que tenha prazer em controlar outra pessoa e que não está fazendo isso simplesmente para me agradar.
  • Eu necessito saber que ele é um verdadeiro sádico quando nós fazemos sexo bizarro e que ele realmente sente prazer em fazer o que ele faz comigo. Eu ficaria arrasada se eu pensasse que ele o estava fazendo “só para que eu gozasse”.
  • Eu necessito saber que eu não poderia fugir ou escapar dele, mesmo que eu o quisesse. (Acredite se quiser, para uma verdadeira submissa isso é parte da necessidade de segurança).
  • Eu necessito me sentir obediente a ele e eu necessito saber que ele está no comando e está tomando todas as decisões importantes (não porque eu não consiga tomar grandes decisões – Isso é fácil e até mesmo prazeroso para mim – mas porque se eu fosse tomá-las eu me sentiria como aquela que está controlando o relacionamento, um sentimento que eu detesto).
  • Eu necessito sentir que eu não posso desafiá-lo ou levá-lo ou manipulá-lo ou passar a conversa nele para que ele faça o que quer que eu queira com o objetivo de se tornar um perfeito “RoboDom”.
  • Eu necessito saber que ele pode solucionar qualquer problema que surja entre nós, por mais sério que seja.

 

OK, já temos necessidades em número suficiente. A primeira coisa que eu faço para distinguir entre necessidades e vontades é perguntar a mim mesma se eu ficarei mal, confusa, sentida, frustrada ou irrealizada permanentemente ou não. Será que eu vou querer correr atrás de alguma outra pessoa que o faça? Se eu puder responder a essas indagações com um honesto e sonoro “sim” eu estarei lidando com uma necessidade.

Por vezes pode ser bastante difícil para uma submissa pedir o que ela deseja ao seu Dominador, pois ela pode sentir (erradamente, eu acredito) que pedir essas coisas é insubmisso, agressivo ou exigente ou que significaria que ela estaria controlando o relacionamento. Se o seu Dominador realmente controla o relacionamento, ele saberá muito bem quando deverá dizer “não”. E se ele não controla o relacionamento, bom, isso é algo que você precisa saber antes de alcançar com ele o fundo do poço emocional e sexual. Eu acho que uma maneira de começar a distinguir se você está sendo muito exigente é classificar as várias coisas que você quer do seu Dominador como vontades ou necessidades. Se a maior parte das vontades não estiver sendo satisfeitas, talvez seja hora de repensar quais são afinal as prioridades em um relacionamento D/s: é tão importante assim que você consiga as coisas do seu jeito ou, ao contrário, as coisas deveriam ser do outro jeito? Caso sejam primordialmente necessidades que não estejam sendo satisfeitas, pode ser que você esteja com a pessoa errada, pois tais necessidades deveriam ser natural e espontaneamente satisfeitas por um Dominador, não como um favor feito a você ou porque ele tenha medo de te perder, mas sim porque assim ambos estarão felizes. Se a pessoa é realmente um Dominador, ele vai poder satisfazer tranqüilamente às necessidades de sua submissa listadas acima.

2 Comentários »

  1. Caramba Rose,
    pensando muito sopbre o que escreveu aqui….
    Pensando tanto, que estou quase queimando meus neurônios….Na realidade, eles estão queimando faz um certo tempo com perguntas que faço a mim mesma e que são feitas pelo meu Dono, e que não querem calar…
    Mas também, são dificeis de obterem a resposta.
    Lendo isso agora, percebi o que não queria enxergar…..não acho as respostas porque não faço os questionamentos certos e não dou as respostas certas ao meu Dono, porque me bloqueio do que tenho medo de mim mesma.
    Ai, como é dificil transformar-se…..

    Comentário por {ÍsisdoEgito}JZ — Outubro 21, 2008 @ 2:08 am | Responder

  2. Achei ótimo…è importante o dialogo e que as diferenças sejam resolvidas no dia a dia…atravez de conversa ,serena e pacifica ou com atitudes,mostrando respeito pelo ser humano maravilhoso que esta ao seu lado para as horas boas e ruins da vida!!!Gracias pela oportunidade…continue escrevendo!

    Comentário por Cesar Rouxinol — Março 15, 2009 @ 2:38 pm | Responder


Feed RSS dos comentários deste post

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.