Pensamento Submisso

Agosto 24, 2008

Correção – por rose

“o chicote tem que nos rasgar, mas a mão que o conduz tem que querer nos rasgar também” (Dumuz)

 

 

Ajoelhada sobre os grãos de milho, ela cortava com as mãos o papel que denunciava seus erros, formando-se à sua frente uma pilha de fios finos e compridos, talharim de más palavras, provas materiais de sua arrogância e vaidade, descuido e, porque não dizer, ingenuidade.

- Coma. Ordenou Ele em voz calma, o olhar imbuído do poder que ela lhe dava.

ela come. Coloca em sua boca grandes bocados dos fios, engolindo suas palavras, uma a uma, temperadas e umedecidas por lágrimas gordas que lhe vertiam face abaixo.

Sob as vistas silenciosas Dele, indefesa e humilhada, ela engole tudo o que foi dito em todas as instâncias (tudo que Ele a deixou dizer).

Ela tem necessidade disto, necessita expiar suas mazelas invisíveis com gestos e palavras doridas. Não lhe bastava suportar a dor física, apanhar, e se sentia inferior por causa disto, por não conseguir sentir prazer algum na dor física por ela mesma e por não temê-la, embora não fosse resistente a ela. Se julgava por este motivo, desnecessária, incapaz, muito menos que qualquer outra escrava que Ele possuísse. A dor física para ela só era interessante se servisse para humilhá-la mais ainda – incompetente – era como se esta palavra fosse dita bem baixinho aos seus ouvidos – bunda de vidro, incompetente – ela não servia para dar prazer a um sádico. Aí sim, era bom.

Talvez por isto não quisesse demonstrar o pânico que sentiu quando ele surgiu com o material perfurante.

Precisava ser forte, precisava dar a Ele a dor, a dor de dentro era pouco para Ele, destruí-la por dentro era muito pouco. Era necessário destruí-la por fora também. Eram necessárias provas, marcas visíveis da submissão. Humilhação, por si só, não marca a pele.

Ele trouxe duas agulhas grandes, apenas duas, o que a fez imaginar coisas terríveis. Sabia da criatividade sádica Dele e a ansiava sobremaneira. Sabia, tinha certeza que aquelas duas simples agulhas seriam brutais nas mãos Dele.

Ele fez um gesto para que se levantasse e se sentasse numa cadeira de frente à Ele. Amarrou seus pulsos às costas por detrás do encosto da cadeira e uma perna em cada perna do objeto. Calçou as luvas e desinfetou com álcool seus mamilos infantis olhando em seus olhos. Mar sem luz. Impossível, naquele instante enxergar prazer ou dúvida, os olhos dele eram um mar sem farol, compenetrados na ação.

Pega uma agulha e mostra a ela, o jogo, fazer temer. Ela não tem medo. Ela o olha e o enfrenta. Altiva. Ela não recua o olhar. Reconhece o jogo dela de enfrentamento e sabe que dura pouco, ele sabe como vergá-la. Chega em sua orelha e sussurra:

- Vamos fazer um furo aqui?

Ela assente com a cabeça.

- Ele puxa o mamilo e lentamente enfia a grossa agulha, atravessando-o, sem pressa. Dói… mas ela ainda resiste. Ele gosta da reação dela. Afinal, pensa ele, ela não perde por esperar. A mesma ação é executada no segundo mamilo, a mesma cara de êxtase Dele enquanto perfura, a mesma abnegação dolorida, contudo forçadamente tranqüila dela.

Ele se afasta e contempla a cena. Gosta do que vê, acende um cigarro. Traga com gosto e solta a fumaça na face dela. Ela não fuma, odeia cigarro, mas se excita com aquilo. Ele passa a brasa levemente por seus seios, sem encostar, ela sente o calor, seus batimentos aceleram, ela é traída pelo medo, adivinha o que ele pensa. Começa a perder. Ele ri. Percebe. Tudo é silêncio.

Ele em uma das agulhas espeta o cigarro aceso com a brasa para baixo, acende outro, traga, bafora e faz o mesmo no outro mamilo. Agora sim, está divertido. O rosto dela é puro pavor. O medo a queima.

4 Comentários »

  1. Uma foto que Pamina me enviou faz alusão à algo que lembra tal descrição que fez no conto…

    Comentário por monjh — Agosto 25, 2008 @ 9:56 pm | Responder

  2. .

    Hunrum… fui eu quem mostrei a tal foto pra sua pamina e foi Denise quem a mostrou pra mim.

    Tem certas imagens que não se deve mostrar para sadomasoquistas fêmeas porque viram inspiração para muitos muitos e muitos “pesadelos eróticos”… essa imagem me persegue de noite há meses, tenho calafrios ;)

    .

    Comentário por rose — Agosto 25, 2008 @ 10:13 pm | Responder

  3. Deuses, só agora li… parece alguém escrevendo sobre minha vida…

    Comentário por Anônimo — Setembro 15, 2008 @ 5:48 pm | Responder

  4. Deuses, só agora li… parece alguém escrevendo sobre minha vida… rssssssssss agora com créditos.

    beijos (F)

    Comentário por Anita pet ^.^ — Setembro 17, 2008 @ 12:30 am | Responder


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