“É tão certo quanto calor do fogo, eu já não tenho escolha e participo do seu jogo…” (Dinho Ouro Preto / Bozzo Barretti)
Ajoelhada na ardósia fria, mãos postas, rezou primeiro para ser entendida e rezou mais ainda, para ser perdoada. As lágrimas que antes caiam mansamente agora a engasgavam, entupiam seu nariz, encharcando sua boca com gosto de sal.O dia começava a clarear e ela, ainda ajoelhada aos pés da cama, refletia. A primeira claridade feriu seus olhos, o choro teimando, compulsivo. Dentro em pouco um “bom dia” estaria em sua caixa de e-mail e ficaria lá, sem ser lido, sem ela saber qual o desenho cuidadoso escolhido, e seria assim doravante durante dias, meses, quem sabe por quanto tempo?
Sabia que e-mails, mensagens, telefonemas a iriam atordoar, mas a nenhum deles deveria abrir, ler, atender, responder.
As ordens Dele ecoavam cada vez mais claras em sua mente: “exclua todos os teus amigos, com nenhum deles tem permissão de teclar, conversar ou ver”. No serviço, apenas o necessário com os colegas de forma educada, mas sem amizades, sem intimidades. Era para deletar toda e qualquer amizade de sua vida.
ela se ergue do chão com lentidão e, finalmente, desliga o computador.
hum….radical
bjs
ana
Comentário por anammk — Setembro 16, 2008 @ 4:29 pm |