Imagens poéticas, porque eu enxergo como num filme as coisas que ela escreve… porque ao ler como ela se descreve, por identificação, me enxergo. Todas as poesias aqui postadas são da Vânia ou se preferirem chamar pelo seu outro nick, dumuz.
As imagens desta postagem foram todas roubadas do blog da Ad_Denise, porque esta minha amiga tem um bom gosto absurdo para imagens.
Navegantes
Ouço teu canto
e sei em suas notas
que me enganas…
em meu coracao
seduzido,
mergulho…
em tuas profundezas
me entrego,
sei de minha sina
uma vez em teu reino…teus cabelos
me enredam
e prendem
e tua cauda golpeia,
dor esperada,
a mim, submisso,
e tuas escamas
me cortam…meu sangue
o sal, a agua
misturam-se
devora-me
em teu prazer…
insana
amante
desejada…encontrei
em teu ventre
enfim
prazer, dor…
o silencio…
meu destino…e revigorada
emerges
de teus cantos
em busca
de
navegantes…
Crueldade
Nua
pedes
que eu interrompa
o canto da chibata
sobre tua carne
Gemes
inutilmente
pela condição de dor
que te impusestes
Eras livre
e te entregaste
a meu desejo
Sabias-me
pervertido
devasso
e mesmo assim
te ajoelhaste
e puseste em
minha mão
o açoite…
Cala-te!
E torna agora
a ser apenas
uma cria…
Como aprecio
teu arrependimento!
Doce licor
as tuas lágrimas!
Chora e geme
pequeno animal
a longa dor
que será ainda
teu cativeiro…
Não vieste a mim
buscar piedade
Vieste buscar
teu prazer insano…
apenas
esqueceste
que serias
antes
prisioneira
do meu…
Imagens
Procuro insistente
teus lábios
e, de repente,
mornos
se aproximam dos meus
e teus braços
me envolvem
no calor de teus seios
e próximos
nossos olhos
refletem
única luz
querida
o corpo treme
num gemido
sob a água
no vapor
tudo se
esvai
e me vejo
no branco frio
de
azulejos
e lembranças…
Imagens (2)
Quando seus olhos
se voltarem
sobre o frio
branco
dos azulejos
e neles nao mais
encontrarem
meu olhar
e seus labios
buscarem em vao
sob a agua
minha ausencia
sabera
que nao e mais
minha
que pertence
a teu corpo
a teus desejos
a solidao
salgada
rompida
pelo gemido
agudo
do registro
que se
fecha…
Nu
À tua ordem
começo a me despir
lento, inseguro…
surge meu torso
largo a camisa
hesitante
me aproximo
e desafrouxo
o cinto
deixando
cair as calças
a meus pés
em vexame
prossigo
ao púbis
ao pênis completamente nu
aos teus olhos
Nova ordem:
- Prossegue!
Exposto,
Perplexo,
me examino
não há roupa
ou adorno
em meu corpo
- Prossegue!
Teu chicote
estala
em pânico
me vasculho
sem encontrar
roupa alguma-
Prossegue!
O couro
me lacera a carne
minha alma
desperta
e nela encontro
capas
segredos
preconceitos
desejos
medos
a me cobrir…
Não te enganas
com minhas
roupas ao chão.
Sabes de tudo…
Me prostro aos teus pés
envergonhado
Me dobro ao castigo
Confesso
não sei me despir
mais do que roupas
Imploro que
teu poder,
teu chicote,
deflorem
minha alma
e eu seja teu…
…nu.
Sedução (de uma escrava)
Baixa agora teus olhos
não os torne erguer…
sobre teus joelhos
repouse teu corpo…
Dobra-te à violência
para arrancar de ti a vida
fertilidade oculta
pelo recato de teus medos
Torna a ser terra
e te deixarei nua
te rasgarei pelo arado
te irrigarei nas lágrimas…
Atemorizada e passiva
em teu silêncio
deixa que a força do masculino
desperte teus desejos…
Deixa eu te dar descanso
dessa tua liberdade
deixa em minha crueldade
repousar teu ser…
Antes da flagelação da escrava…
Finalmente
estás diante de mim
sobre teus joelhos
nua, submissa,
voltaste a ser apenas
a mulher primitiva
o desejo e o instinto
que sempre quisestes
negar.
Meu pequeno animal,
minha pequena fera
domada
Sob a dor de meu chicote
domesticada
destruirei golpe a golpe
a mulher educada
que fizeram de ti
Para entre os escombros
te encontrar
Presa na torre
de tuas virtudes
clamas para que
eu te corrompa
com os meus vícios
e percorra teu corpo
demolindo as paredes
de tua bondade limpa
e insossa
Pensas ser uma prostituta
Mas és fêmea
para além da maldade e da bondade
para além do crime e da virtude
És apenas fêmea
intensamente fêmea
completamente fêmea
cujos desejos
o flagelo
agora irá despertar…
Ser Escravo
Quando me proibiste
de Te olhar
fiquei para sempre
nu ante Teus olhos
Quando me proibiste
de Te falar
fiquei para sempre
obediente aos Teus lábios
Quando me proibiste
de Te tocar
fiquei para sempre
ao alcance de Tuas maos
E quando me proibiste
enfim, de ser eu mesmo
fiquei para sempre
livre sob Teu dominio.
Tormento
A sede de dor
me enlouquece
me leva a perguntar
em desespero
por que
clama meu corpo
pelo seu chicote
e pelo seu
desprezo?
No chão, me arrasto
sem poder entender
esse desejo
de sua voz
me ordenando
a ser menos
que um animal.
Chora meu juizo
um grito
em meio aa doença
e perversão
precipito-me
sobre a treva
de seus olhos
que me devoram
amantes…
Consumido
me esvazio
para do meu nada
lhe encontrar
plena
de meu sofrimento… e me encontrar
nessa loucura apaixonada
da qual todos se escondem
espremidos
num normal,
mas, que em mim,
de minhas sombras,
voce revelou…
Distraída
Distraída,
como pude?
Não te vi
recolher-te
ao teu quarto
Não cumpri
meu dever
de velar
por ti,
meu pequeno.
Obediente
me serviste
como um brinquedo
para além
de teus limites
para além
de teu pudor
e tua vergonha
viril
exposto
ao vexame
Não gritaste
nem fugiste.
Humildemente
ficaste,
me amaste
na dura prova
e eu…
ah, eu…
sequer te
vi sair
em tristeza…
Culpada
te busquei
eu,
que nunca quis
te perder…
Esperava de ti
a cobrança
devida
a acusação
justa
o clamor
irado,
mas…
Ergueste
meigo
os olhos
decantando
uma lágrima
para apenas
me perguntar
se eu
me envergonhava
de tua condição
de teu corpo
de ti…
Ai, meu pequeno!
Ridículo
é o mundo,
que nos julga,
que nos maldiz.
Belo
é teu sorriso,
és tu,
meu servo,
eleito, preferido,
o mais digno
de meu domínio
e
de meu amor
sobre ti…
(Inspirado no Amor entre a Rainha Frágil e seu servo
humano rog…
)
A teus pés
A dor me invade
e me redime
da culpa
de ser masculino,
da mentira
de minha força
superior,
do fracasso
de meu corpo
ante Tua forma
divina.
Ao tocar
a sola de Teus pés
meus lábios
recolhem
o pó que pisaste
como alimento
- o único merecido -
depois de eu
ter
devastado a terra
com meu apetite
egoísta e
estúpido
A Deusa me
dera a vida
para ser Teu
parceiro
Teu amigo
e Teu servo
Dera-me
mais músculos
que cérebro
mais força
que emoção
para que meu
corpo e pensamentos
te ajudassem
a zelar pela
Terra
e pelo prazer
do Amor
Mas, enquanto Tu
choravas
minha insensibilidade,
eu me divertia
Te oprimindo,
zombando de teu útero,
escrachando de tua vagina,
a porta
e o templo
santos
por onde passa
toda a vida
que começa.
Em luto
desceste ao
submundo
e lá,
sozinha,
conheceste
as lágrimas e a tortura,
a prisão e a doença,
a dor e a morte,
deixando a terra estéril.
Mas eu não me dei conta
sequer de tua ausência.
Cúpido, prossegui
escravizando tuas filhas
delas fazendo prostitutas
me servindo como carne
com que eu
empanturrava
meu ventre.
Irada,
renasceste,
com o favor de todas
as Deusas,
foste liberta,
recebendo nova vida,
novos poderes,
novo mundo,
ao preço de
entregares
uma vítima
à crueldade
da Deusa
que governa
os infernos…
E eis-me aqui,
a teus pés,
Deusa encarnada,
humilhado,
flácido, impotente,
fulminado por teu olhar
terrível.
Joga sobre mim
a dor
que meu falo inconsequente
semeou no mundo.
Pisa, oh Deusa,
mais uma vez,
a cabeça dessa
serpente fálica
e tola
em que me transformei,
querendo ser igual a um deus…
Castra-me e
suspende meu falo
em sacrifício
sobre Teu colo
sagrado,
como advertência
e cura,
a todos os que
padecem,
dessa loucura
masculina
de poder.
E dá a minha dor
e o meu sangue,
a minha humilhação e
o meu sofrer,
como alimento
e reparação,
a todas as criaturas
nascidas do ventre
da Mãe Terra,
para que novamente
floresçam
Vida e Amor…
Poeta-Escravo
Eis-me escravo
em correntes
de palavras
ditas
da boca de minha Deusa
que me fazem sonhar
Sonho de teias
brancas, finas
qual seus pés
me pisando
enfraquecendo
antes de me
devorar
Senhora
de meus pensamentos
que outros
além
de seu corpo
não tenho
Admiro
sozinho
da solidão
do piso
sobre o
qual meu peito
gela
indefeso
ante sua
beleza
Eis-me poeta
e escravo
em lágrimas
algemas
coração cativo
sangra versos
sob o açoite
de seu olhar
feitiço…
Deusa Senhora
de meu corpo
e meus versos
escreve
à pena
sobre minha
carne
o destino
aquece
minha alma
na dor
de ser
seu
Lágrimas
Elas vieram
tantas
e juntas
de há muito
anunciadas
pelo teu
jeito
de me
olhar
Palavras úmidas
diziam
o nada
o vazio
em frases
lentas
sobre
meu rosto
o pesar…
Livro
de contos
historias
e dores
escritas
por tua mao
em
infinitas
marcas
sobre minha
pele
Guardo
comigo
eh minha
lembranca
no
traço
de lágrimas
a tua
escrita
leve…














simplesmente Belo
(tanto imagens como texto)
aquele abraço
ab imo pectore
Senhor e Amo
Comentário por Senhor e Amo — Fevereiro 19, 2008 @ 11:51 pm |
o ato do prazer n nos deixa escolhas todas fotos forao poeticas
Comentário por Anônimo — Março 22, 2008 @ 7:00 pm |
Adorei seu cantinho parabéns!
beijos
{íSiS} de Sir Stephen
Comentário por {íSiS} de Sir Stephen — Março 31, 2008 @ 1:46 pm |
perfeitas fotos e poemas!
Comentário por sub água Marinha — Agosto 16, 2008 @ 11:06 pm |
Imagens linda espetacular!!!!
simplismente lindo o texto.
Comentário por Suzana Olveira — Setembro 18, 2008 @ 1:12 pm |
“o chicote tem que nos rasgar, mas a mão que o conduz tem que querer nos rasgar também” (Dumuz)
Bravo!
Comentário por {cadela loura}_LORD BORG — Setembro 30, 2008 @ 1:29 am |
parabens pela sua obra.beijos
Comentário por jose roberto barbosa — Dezembro 22, 2008 @ 7:38 pm |
gostaria muito de agradecer é um belo trabalho continue assim um grande abraço
Comentário por roberto_SRA D — Fevereiro 11, 2009 @ 3:09 am |
Parabéns!
Adorei imagens, poesias…beijo doce
Comentário por sweet_dark angel — Junho 29, 2009 @ 3:37 pm |